Acordo serve de antídoto contra agenda negativa

Análise: João Domingos

O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2012 | 03h08

Em baixa no papel de articuladora política e acossada pelas suspeitas de que a contribuição de R$ 150 mil da Intech Boating para o PT de Santa Catarina ocorreu por causa da encomenda de 28 barcos à empresa por parte do Ministério da Pesca, do qual foi titular, a ministra Ideli Salvatti tentou ontem reverter a agenda negativa que a acompanha há semanas.

Orientada pela presidente Dilma Rousseff, ela convocou uma entrevista coletiva para o final da tarde de ontem, uma quinta-feira véspera de feriado com ponto facultativo nas repartições públicas do governo. Dilma aconselhou Ideli a se movimentar mais e a responder rapidamente a todas as suspeitas que envolvem o nome dela. Na entrevista, a ministra anunciou que o governo aceita um acordo para reduzir a taxa de juros das dívidas dos Estados, desde que o Senado acabe com a chamada guerra fiscal dos portos, mantida por Santa Catarina, Goiás e Espírito Santo.

Para piorar a situação da ministra, seu sucessor na Pesca, o deputado Luiz Sérgio, considerou "um malfeito" o pedido da Pasta para a contribuição à campanha. Isso gerou uma crise interna no PT. De acordo com informações de bastidores do Planalto, Ideli reclamou com a direção do partido do comportamento do companheiro. Disse que já vinha sofrendo ataques de todos os lados.

Segundo Ideli e o Planalto, todas as críticas destinam-se a enfraquecê-la na coordenação política do governo. No Planalto há a suspeita de que por trás das notícias que envolvem Ideli estariam grupos da base aliada do governo descontentes com a atuação da ministra, que participou da troca dos líderes no Senado e na Câmara no mês passado. A mudança deu início a uma grande crise na base.

O descontentamento com Ideli é, de fato, grande, tanto no Senado quanto na Câmara. Parlamentares se queixam de que ela tem adotado um comportamento muito duro ao responder às reivindicações deles por nomeações de apadrinhados para cargos no governo e por liberação de emendas parlamentares.

O maior exemplo dessa imagem de truculenta foi a reunião com a direção do PR, quando ela riscou com uma caneta todos os nomes do partido oferecidos para o Ministério dos Transportes. Tal atitude levou o PR do Senado a romper com o governo.

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