'Acordo com PMDB será honrado', diz Chinaglia

Ao assumir liderança, deputado petista nega pretensão de disputar presidência da Câmara em 2013 e afirma que vaga será de peemedebista

DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2012 | 03h07

O novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), chegou ao cargo procurando afastar as desconfianças do PMDB com um eventual rompimento do acordo na sucessão na presidência da Casa. Com a base já em crise com a presidente Dilma Rousseff, a escolha de Chinaglia foi vista por setores do PMDB como um passo para o PT lançar o nome do novo líder para o lugar ocupado por Marco Maia (PT-RS) em 2013.

"O acordo feito com o PMDB foi honrado e será honrado. Não podemos antecipar esse debate e tornar essa pauta para o líder do governo", disse Chinaglia, ressaltando que PT e PMDB têm seus líderes para tratar desse tema. "Se é para tirar esse fantasma, eu digo que vim com a tarefa precípua de fazer o trabalho de líder do governo, o resto está fora (de cogitação)", afirmou.

O líder do governo é tido como um candidato em potencial na disputa pela presidência da Casa em uma estratégia para evitar que o PMDB fique com o comando da Câmara e do Senado no biênio 2013/2014. O PMDB e o PT fecharam acordo em 2010, pelo qual o próximo presidente da Câmara será o peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN).

Na tentativa de evitar que a desconfiança do PMDB aumente e a crise com o partido se aprofunde, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, telefonou para o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), para reafirmar que o acordo em torno do comando da Câmara está mantido e que será cumprido pelo PT.

O novo líder retorna ao cargo que ocupou durante o escândalo do mensalão, de compra de apoio no Congresso, a maior crise nos oito anos de gestão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sete anos depois da liderança, com a presidência da Câmara no meio, Chinaglia assume o cargo com a base parlamentar insatisfeita pelo tratamento dispensado pela presidente Dilma, com o PMDB desconfiado do PT e com temas polêmicos na pauta de votação.

Derrotas. O governo já sofreu derrotas na Câmara nas votações de dois projetos que voltaram neste ano para análise dos deputados: o do Código Florestal e a proposta de divisão dos lucros pela exploração de produção do petróleo, os royalties.

Chinaglia marcou uma reunião hoje com os líderes da base para discutir a pauta. A votação do projeto de Lei Geral da Copa estava previamente marcada para hoje. A reunião servirá para avaliar a possibilidade de manter esse cronograma. Médico e presidente da Câmara durante a aprovação do projeto da Lei Seca, Chinaglia é contra a venda de bebida alcoólica nos estádios.

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