'Acontece', diz presidente de banco sobre informe com ressalvas a Dilma

Emilio Botín volta a dizer que texto não reflete opinião do Santander e evita comentar declaração da presidente de que pedido de desculpas foi 'protocolar'

IDIANA TOMAZELLI, Agência Estado

29 de julho de 2014 | 14h48

Rio - O presidente global do Santander, Emilio Botín, reafirmou nesta terça-feira, 29, que o informe econômico que sugeria a piora da economia se a presidente Dilma Rousseff voltar a subir em pesquisas não reflete a opinião do banco. Botín disse que o texto foi enviado na semana passada a clientes do segmento Select (renda mensal superior a R$ 10 mil mensais) por um analista e que "isso acontece" em muitos bancos.

"A opinião foi de um analista, não é a opinião do banco Santander", disse durante coletiva à imprensa nesta tarde, no encerramento do III Encontro Internacional de Reitores, no Rio. Apesar disso, ele se esquivou de tecer comentários sobre as declarações da presidente Dilma, que nessa segunda, 28, classificou a resposta do banco como "protocolar" e disse ser "inadmissível" que o mercado financeiro interfira nas eleições.

Segundo Botín, as medidas consideradas necessárias foram tomadas, entre elas a demissão do analista responsável pelo texto, que o fez sem autorização da instituição. Botín também citou que o presidente do Santander no Brasil, Jesús Zabalza, enviou uma carta à presidente Dilma, mas não revelou seu conteúdo.

"Quero dizer-lhe (à presidente), isso acontece muitas vezes. Temos 180 mil funcionários em dez países importantes. Isso acontece muitas vezes em muitos bancos", disse Botín.

Para o evento, que reuniu mais de mil reitores de diversos países, eram esperadas autoridades do círculo federal. Mas, após o informe polêmico, o encontro não teve a presença de nenhum representante de Dilma - o vice-presidente Michel Temer, que tinha confirmado sua vinda, cancelou o compromisso no fim de semana. Hoje, segundo dia de evento, apenas o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, compareceu à cerimônia de encerramento.

Questionado sobre as ausências, Botín disse que gostaria de ter recebido representantes do governo, mas o fato não tirou o brilho do evento. "Perguntem a eles (por que não vieram). Eu não sei", afirmou.

O presidente global do Santander também não comentou as críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Presidente Lula é um grande amigo. Só tenho elogios a ele", disse.

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