Ações suspeitas da Delta somam R$ 536 mi

Relatório da PF indica que valor teria sido pago em dinheiro vivo a políticos e servidores; Justiça já bloqueou R$ 327 mi

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h11

Relatório da Operação Saqueador, investigação da Polícia Federal, mostra que o total de transações suspeitas realizadas pela Delta Construções, entre 2007 e meados de 2012, pode alcançar R$ 536 milhões. No período, órgãos públicos repassaram aproximadamente R$ 6,22 bilhões à empreiteira - a PF calcula que pelo menos 8,62% desse montante pode ter sido usado para pagamento em dinheiro vivo a políticos e servidores em troca de licitações forjadas.

Para a PF, os dados indicam que o suposto esquema de corrupção sob patrocínio da Delta é mais arrojado do que inicialmente estimado. No dia 24 de setembro, o juiz Eduardo de Assis Ribeiro Filho, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, decretou sequestro de R$ 327,83 milhões existentes em saldos de contas bancárias e aplicações financeiras de qualquer espécie de empresas ligadas à empreiteira.

A Saqueador foi desencadeada em 1.º de outubro. Ela tem origem na Operação Monte Carlo, da PF, e na CPMI do Cachoeira - Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, contraventor ligado a Fernando Cavendish, controlador da Delta. Buscas foram realizadas na construtora e na residência do empresário Adir Assad, apontado como operador dos pagamentos de propinas. Seu advogado, Miguel Pereira Neto, rechaça a acusação.

"A Delta mantém em sua contabilidade oficial a segregação de todas as suas operações classificadas em centros de custos e com registro de todos os fatos contábeis, mesmo que decorrentes de atividades ilícitas, o que facilita controle administrativo, gerencial e fiscal", diz a PF.

Segundo os investigadores, "outros indícios que levam à suspeição da prática de desvios de verbas públicas residem no fato da descoberta de arquivo de controle de pagamentos, alocados por centro de custos a empresas fantasmas ou mesmo empresas regulares utilizadas para emissão de notas fiscais frias".

Declarada inidônea pela Controladoria Geral da União, a Delta informou, quando a operação foi às ruas, que vai contribuir de "forma plena" com a investigação. Destacou que está em recuperação judicial, homologada pela 5.ª Vara Empresarial do Rio. Segundo a Delta, toda a sua movimentação financeira e contábil "é acompanhada e fiscalizada pela Justiça, Ministério Público e administrador judicial". / FAUSTO MACEDO

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