'Ações da Secretaria não elegem nem um vereador'

Chefe da SAE admite que 'seminário não dá voto' mas acha que isso não é motivo para 'uma queda de braço' com o governo

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

04 de março de 2013 | 02h07

Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) desde o início do governo Dilma Rousseff, o peemedebista Wellington Moreira Franco diz que a falta de ministérios que executam políticas públicas gera um "mal-estar" no PMDB, mas não acha que isso seja motivo para "uma queda de braço" com o governo. Mas não nega: as ações da secretaria "não elegem um vereador". E seminário "forma pessoas, mas não elege".

Qual é o papel da Secretaria de Assuntos Estratégicos?

Não temos no Brasil uma tradição de pensar o longo prazo. O esforço é no sentido de pensar o médio e o longo prazo e criar uma cultura de cenário o processo decisório mais sólido.

Em que áreas a secretaria atua mais intensamente?

Hoje quem mais entende sobre classe média brasileira somos nós. A discussão sobre sustentabilidade da classe média, a definição de indicadores que caracterizam o surgimento dela, tudo foi produzido na SAE.

Os ministérios aproveitam isso? Virou um instrumento para políticas públicas?

Aproveitam sim. E tem várias iniciativas comuns, como a definição da política de ocupação de fronteiras. Fizemos o programa da primeira infância, que contribuiu para o Brasil Carinhoso. Com os ministérios do Trabalho, da Justiça e de Relações Exteriores estamos pensando mudanças na legislação de imigração. A SAE tem função de governo, para definição de programas, mas sua expressão eleitoral é extremamente reduzida. Seminário forma pessoas, aglutina conhecimento, mas não elege.

É uma pasta sem visibilidade?

Tem visibilidade, mas não elege um vereador. Isso é uma reclamação que o PMDB faz. A SAE é transversal, formula mas não tem a responsabilidade da execução das políticas públicas.

Então o PMDB tem razão em reclamar?

Acho que sim.

Por que o sr., inicialmente, resistiu a aceitar a SAE?

Eu não entendia bem o que era. Depois vi que precisamos ter no Brasil essa experiência. Você pensar o longo prazo, quando está no governo. Tem de trazê-lo para o presente, definir políticas que comecem agora.

O senhor se sente prestigiado?  Você me conhece, tenho uma biografia, não sou um parvenu (pessoa que subiu na vida).

O que é o grande desafio do País para o médio prazo?

Dar sustentação à classe média. As transformações econômico-sociais dos últimos dez anos colocaram 40 milhões de pessoas em uma situação diferenciada. Essa classe média colocou R$ 1,1 trilhão no mercado de consumo, no ano passado. Como vivemos uma situação de quase pleno emprego, você só mantém condições econômicas para garantir aumento real de salário mínimo se aumentar a produtividade. Para isso, temos que qualificar pessoas empregadas e não só desempregadas.

Presidir Senado e Câmara compensa a insatisfação do PMDB com os ministérios que ocupa?

O tempo dirá. A questão não se coloca dessa maneira. Não é uma queda de braço. O produto que nós temos para oferecer para nossos militantes é seminário. No governo Lula o PMDB tinha Saúde, Comunicações, Integração Nacional, Minas e Energia, Agricultura e Defesa. Cinco dos seis ministérios executavam políticas públicas. Hoje temos a vice-presidência, mas só cinco ministérios e três não executam políticas públicas: Previdência, Turismo e a SAE. Minas e Energia e Agricultura executam. É uma constatação. Gera um certo mal estar, mas nada que comprometa a relação e a coligação PT-PMDB e a integridade do governo Dilma-Michel.

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