ACM Neto tenta garantir reduto 'carlista'

Candidato do DEM enfrenta Nelson Pelegrino, que, apoiado por Lula e Dilma, busca cargo inédito para petistas no Estado da Bahia

JOÃO DOMINGOS , ENVIADO ESPECIAL / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h11

Salvador escolherá hoje seu novo prefeito entre Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT), depois de uma das campanhas mais disputadas dos últimos tempos, símbolo da luta pelo poder no País, com envolvimento direto da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros do governo e de todo o comando dos partidos de oposição.

A vitória de ACM Neto significará a consolidação do terceiro maior colégio eleitoral do País (1.881.544 eleitores) nas mãos da oposição, num Estado em que o PT e seus aliados dominam 340 dos 417 municípios baianos, além do retorno de um carlismo rachado, mas persistente e renovado, que o governador Jaques Wagner (PT) tenta eliminar de vez. Se Pelegrino vencer, o PT passará a governar Salvador pela primeira vez e poderá proclamar a vitória do alinhamento dos governos federal, estadual e municipal, um tema usado à exaustão para convencer o eleitor a não votar em ACM Neto.

"Minhas maiores dificuldades na campanha foram os boatos que eles (os governos federal e estadual) espalharam, dizendo que eu não terei condições de governar porque não sou alinhado", disse ACM Neto ao Estado. Todos os programas de TV e rádio insistiram o tempo todo que Salvador só poderia se livrar de seus problemas crônicos de falta de vias para escoar o trânsito caótico, de ruas esburacadas, de violência, de centros de saúde e escolas sucateadas se houver a parceria com o governo federal.

"O que está em jogo nessa eleição é quem pode tirar Salvador do buraco. Isso, só um acordo entre a prefeitura, o governo Jaques Wagner e a presidente Dilma pode resolver", afirmou Pelegrino ao Estado. "Do que a prefeitura arrecada, ela só pode investir R$ 100 milhões por ano. Só para resolver o problema emergencial da malha viária são precisos R$ 300 milhões, para a Orla Atlântica, mais R$ 500 milhões. Como vamos resolver isso sem parceria?"

O alinhamento de todas as instâncias de governo pode até não dar a vitória a Pelegrino, porque a campanha em Salvador foi muito polarizada. Mas que foi o tema responsável por levá-lo ao 2.º turno, não há dúvidas, dizem os estrategistas do deputado do PT, que disputa a eleição para a prefeitura de Salvador pela quarta vez.

Diferenças. Nas campanhas nas ruas, pôde-se observar comportamentos diferentes entre os dois candidatos. ACM Neto estava mais solto. Passou a jogar-se nos braços das pessoas que o beijavam e beliscavam. Já Nelson Pelegrino, que passou parte de sua vida atuando como advogado de movimento sociais da periferia, ainda encontrou dificuldades para se comunicar com o público. Parecia estar sempre tenso. Sorria pouco. Seus marqueteiros tentaram mudá-lo, mas não conseguiram.

Por causa da importância estratégica de Salvador para o PT, a presidente Dilma Rousseff fez comício no populoso bairro de Cajazeiras (650 mil habitantes) na semana passada. Não se esqueceu de falar da necessidade de alinhamento entre todos os governos para que Salvador possa ter uma boa administração. Fez ainda ironias com a estatura de ACM Neto, que mede cerca de 1,65 metro. "Não podemos ter um governo pequenininho", proclamou Dilma, do palanque.

Na quarta-feira, foi a vez de Lula ir a Salvador e também fazer um comício num bairro muito populoso, Paripe. Para o delírio de militantes petistas, Lula atacou ACM Neto. Afirmou que, ao tomar conhecimento de que num discurso feito da tribuna da Câmara, em 2005, ACM Neto dissera que lhe daria uma surra, preferiu ficar quieto. "Se eu fosse brigar e batesse nele, seria uma vergonha; se apanhasse, seria uma vergonha e meia."

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