ACM Neto diz considerar sua candidatura vitoriosa em Salvador

Neto, candidato do DEM à prefeitura, fez duras críticas à postura do PSDB do Estado durante a campanha

Tiago Décimo, de O Estado de S, Paulo,

06 de outubro de 2008 | 20h12

Apontado como principal derrotado na eleição municipal de Salvador (BA) - liderou as pesquisas de intenções de votos até a última semana antes do pleito, mas acabou ultrapassado pelo atual prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e Walter Pinheiro (PT) -, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) disse nesta segunda-feira, 6, em Salvador, considerar sua candidatura vitoriosa. Apesar disso, ele não deixou de apontar as razões para não estar no segundo turno.   Veja também: Cobertura completa das eleições 2008 Perfil dos candidatos de Salvador  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos     "Há um ano, o Democratas era muito questionado na Bahia - em especial depois da derrota na eleição para o governo do Estado e da morte do senador Antonio Carlos Magalhães - e, em muito pouco tempo, conseguimos criar uma marca nova", afirma. "Enfrentamos três máquinas do poder, a federal, a estadual e a municipal. Em uma cidade pobre como Salvador, isso faz diferença. Mas não vou apontar isso como causa de não ir ao segundo turno: não fui porque tive menos votos que os dois primeiros."   Neto também fez duras críticas à postura do PSDB do Estado durante a campanha. "A eleição era entre quatro (candidatos) e se tornou de três, por causa da queda do (candidato tucano Antonio) Imbassahy", acredita, lembrando do desempenho do concorrente, que saiu da vice-liderança nas pesquisas para pouco mais de 8% dos votos.   "Como ele me atacou muito durante a campanha, os eleitores que deixaram de votar nele não votaram em mim", conta Neto. "O PSDB não pode olhar só para seu umbigo. A postura tirou a possibilidade de as oposições terem um candidato no segundo turno. O PSDB virou um acessório do PT na Bahia". Na manhã desta segunda-feira, 6, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Marcelo Nilo, do PSDB, declarou que apoiaria a candidatura do petista Walter Pinheiro à prefeitura, apesar de o partido ainda não ter uma posição definida.   O deputado ressaltou, porém, que teve, nas urnas, o porcentual de votos apontados pelas pesquisas - o que indica, em sua opinião, que não houve derrota. "O tempo todo, estive com entre 25% e 27% dos votos", lembra. "O que ninguém imaginava é que, com o porcentual de votos que eu tive (praticamente 27%), eu ficaria fora do segundo turno."   Carlismo   De acordo com Neto, o DEM na Bahia vive uma era de "pós-carlismo" - o carlismo, segundo o deputado, só era possível com a presença física de seu avô. "A política na Bahia mudou, está bastante dividida, vivemos um momento novo", acredita. "Antes, havia uma polarização entre prós e contras o carlismo, hoje isso não existe mais, mas há coisas que ficam. As idéias e os ideais são os mesmos e as principais lideranças formadas naquele tempo, por exemplo, estão unidas em torno de um objetivo comum - e muita gente acreditava que haveria um 'racha' no grupo."   Para ele, porém, não é possível traçar paralelos entre o DEM e o PFL. "São coisas completamente distintas", afirma, sem detalhar as diferenças. "Nosso partido é completamente novo, tem novas idéias. Prova disso é que sei que tive votos que não costumavam ser dados para o meu grupo. E o DEM já nasceu com muito sucesso. Vamos ganhar a prefeitura de São Paulo, por exemplo, algo que o PT teve de batalhar muitas eleições para conseguir, por exemplo."   Neto também destacou que, nos maiores municípios baianos, tirando a capital, o DEM ficou em igualdade com PMDB e PT no número de prefeituras. "Ganhamos no primeiro turno em Feira de Santana, por exemplo, que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado, o que nos coloca em uma situação muito boa na Bahia", lembrou.   Ele se esquivou, porém, de falar sobre os planos políticos futuros. "Não falo sobre candidaturas de 2010 - até porque há gente na minha frente para disputar o governo do Estado", disse, sem querer citar nomes.   Segundo turno   Sobre seu apoio no segundo turno, Neto fez questão de dizer que está aberto a negociações. "Não trabalho com veto na política", afirmou. "Fomos procurados desde no domingo, 6, por lideranças importantes dos dois partidos. O que eu quero ver é qual dos dois projetos mais se aproxima do nosso."   De acordo com o deputado, na terça-feira, 7, ele vai a Brasília conversar com as lideranças nacionais de seu partido para conversar sobre a situação. "Até o fim da semana devemos ter uma posição oficial."

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