'Aceito as sentenças, mas ninguém está acima de erros'

Em entrevista a jornal espanhol, Dilma fala pela primeira vez sobre mensalão e cita 'paixões humanas' em frase ambígua

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / MADRI, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h07

Em entrevista publicada na edição de ontem do jornal espanhol El País, a presidente Dilma Rousseff quebrou o silêncio sobre o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que resultou na condenação da antiga cúpula do PT e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Para Dilma, a decisão da instância deve ser acatada, e não discutida. Numa frase ambígua, completou dizendo que ninguém está "acima de erros" e de "paixões humanas".

O tema foi abordado pelo El País ao final de uma reportagem de três páginas baseada em uma entrevista concedida ao jornal na semana passada, em Brasília. O texto, intitulado "Dilma, la fuerte", fala de temas como a crise na Europa - a presidente volta a fazer críticas à austeridade em curso no continente -, sua visão da China e a receita econômica do Brasil. Aborda ainda sua luta contra a ditadura militar e seu tempo na prisão. Segundo o El País, "Dilma não tem o carisma de Lula, mas brilha por si mesma por sua eficácia e sua convicção política."

Ao final, o autor a questiona sobre o mensalão, escândalo que atingiu em cheio o governo de seu antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva. "Como presidente da República, não posso me manifestar sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal. Acato suas sentenças, não as discuto", disse. A presidente completou com a frase ambígua: "O que não significa que ninguém neste mundo de Deus esteja acima de erros e das paixões humanas". A reportagem não tenta esclarecer o sentido da declaração.

Dilma deixou Cádiz, no sul da Espanha, onde participou da Cúpula Ibero-americana, e rumou para Madri na noite de sábado. Ontem esteve nos museus Thyssen-Bornemisza e Prado. À tarde, visitou a cidade histórica de Toledo. Hoje, a presidente tem uma agenda carregada. Seus dois principais encontros são reuniões bilaterais com o rei da Espanha, Juan Carlos, em almoço, e com o primeiro-ministro, Mariano Rajoy.

Via Planalto. A declaração ao jornal espanhol foi a primeira de Dilma sobre o mensalão, mas não foi a primeira impressão dada por representantes do Palácio do Planalto sobre o julgamento que apontou compra de votos durante o primeiro mandato de Lula.

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou durante a campanha municipal concluída em outubro que os adversários do PT não deveriam usar o assunto para atacar o partido. Também deixou claro seu sentimento em relação ao julgamento. "A dor me impede de falar, neste momento, dessa questão", chegou a dizer após a condenação da antiga cúpula petista e de Dirceu.

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