Ação policial em atos é questionada no Rio e em São Paulo

Governo fluminense troca comando da Tropa de Choque; PM paulista apura uso de balas de borracha na Assembleia

CLARISSA THOMÉ, FÁBIO GRELLET / RIO, RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2013 | 02h08

O governo do Rio trocou ontem o comando de seu Batalhão de Choque. Em São Paulo, o comando da PM abriu investigação sobre eventuais abusos da tropa no protesto de anteontem.

A situação do Rio se agravou com as recentes críticas do diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, Ricardo Dominguez. Ele fez fortes críticas à atuação do Batalhão de Choque na manifestação diante do Palácio Guanabara.

O tenente-coronel Fábio Almeida de Souza deixa o cargo, que ocupou desde outubro de 2011, e passa a liderar o Bope, onde já serviu. Para seu lugar vai o tenente-coronel Márcio Oliveira Rocha, que servia na Tijuca.

A PM negou que a troca tenha algo a ver com as críticas. Segundo a assessoria de imprensa da corporação, o novo comandante da PM, coronel José Luís Castro Menezes, tem feito várias mudanças nos batalhões desde que foi nomeado, há 10 dias.

Desde o início dos protestos, em junho, o batalhão tem sido alvo de críticas de manifestantes e entidades de defesa dos direitos humanos. No ato da quarta-feira contra o governador Sérgio Cabral (PMDB), que reuniu apenas 200 pessoas, os policiais do Choque fizeram 29 prisões - e 28 pessoas foram liberadas e uma indiciada por dano ao patrimônio. Entre os detidos havia quem nem tivesse participava do protesto.

Em São Paulo o alvo do pedido de investigação são os policiais que atuaram anteontem na Assembleia, onde um grupo protestava contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A manifestação foi organizada pelo PT e pelas centrais sindicais ligadas ao partido, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central de Movimentos Populares (CMP). Três pessoas ficaram feridas.

No documento assinado pelo líder do partido na Casa, Luiz Claudio Marcolino, o PT repudiou as agressões aos manifestantes e até a deputados petistas que disseram ter sido vítimas da Tropa de Choque.

Balas de borracha. A PM afirmou que abriu um inquérito policial para investigar o suposto uso de balas de borracha durante a operação. Em nota, a PM afirmou que não estava autorizada a usar balas de borracha - a determinação veio após as manifestações de junho.

A PM e informou que os fatos "envolvendo a utilização de munição de elastômero (balas de borracha)", durante os incidentes "já estão sendo apurados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, por meio de Inquérito Policial Militar (IPM) e pela Polícia Civil".

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