'Ação na cracolândia foi burrice', diz Soninha

Candidata do PPS diz que faltou sintonia e inteligência entre Prefeitura e Estado

GUILHERME WALTENBERG, AGÊNCIA ESTADO , O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h06

Sem poupar os adversários de críticas, a candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, classificou de 'burrice' a ação da Prefeitura e do governo do Estado na região da cracolândia, que dispersou os usuários de crack da região central da cidade com a utilização da polícia. Na opinião da candidata, a ação não usou 'inteligência' nem teve 'sintonia' entre os envolvidos.

Soninha atacou a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como padrinho político nestas eleições e nas eleições de 2010, quando elegeu Dilma Rousseff como sua sucessora. Na campanha à Prefeitura de São Paulo, Lula vem pedindo votos de maneira ostensiva na propaganda do candidato petista Fernando Haddad. Para Soninha, há exagero por parte de Lula.

Mesmo tendo exercido o cargo de subprefeita da Lapa (2009-2010) na gestão de Gilberto Kassab (PSD), sua avaliação do prefeito foi negativa. Soninha acha que Kassab é 'lerdo'. "Nos ônibus, poderia ter tido grandes progressos, assim como na coleta seletiva", afirmou.

O maior desafio para Soninha, caso seja eleita, será enfrentar o que chamou de 'descaso' da cidade de São Paulo. "O desafio é lidar com problemas que foram construídos há décadas, cuidadosamente cultivados."

Sem fugir de polêmicas, Soninha defendeu a legalização da maconha - apesar de ressaltar que a Prefeitura não tem poderes para mudar a lei - o pedágio urbano e a inspeção veicular paga. Ela se disse contrária ao financiamento público de campanhas eleitorais. E se definiu como uma política de esquerda, dizendo que ser de esquerda no Brasil significa "privilegiar o coletivo sobre o individual".

Cracolândia. "Prefeitura e governo do Estado mostraram total falta de sintonia e planejamento sobre como lidar com o problema. Não houve inteligência. O crack não é fabricado ali, no bueiro da Rua Aurora. Acho que foi burrice. Algumas coisas deram certo, alguns criminosos foram presos. Tem que ter uma sintonia entre esses órgãos públicos."

Lula. "O Haddad sem o padrinho (Lula) precisaria começar do zero e dizer quem é. Mesmo que diga que foi ministro da Educação, ele sabe que a foto com o Lula dizendo 'esse é meu candidato' é o que realmente pode alçá-lo a um patamar maior nas pesquisas de intenção de voto. Lula alçou, elevou, ampliou o significado de padrinho a patamares nunca antes vistos na história deste País. O que ele fez com a Dilma foi o maior caso de empenho de um padrinho numa campanha. Foi ilegal. Tudo tem um limite. Ele escrevia na agenda: '19 h, compromisso particular'. Daí subia no palanque pra espalhar o ódio aos concorrentes , dizendo que tinha que extirpar o DEM."

Kassab. "Foi lerdo. Os ônibus precisariam e poderiam ter tido grandes progressos. A coleta seletiva está muito abandonada. As cooperativas de hoje continuam funcionando em galpões provisórios. Pra mim é o contrato por serviço."

Desafios. "Os maiores desafios são lidar com problemas que foram construídos há décadas, cuidadosamente cultivados. Teremos enchentes em janeiro, isso se agrava com as mudanças climáticas. Já não estávamos preparados para o volume normal. É o resultado de uma série de barbeiragens. No Rio Tietê, a vazão deveria ser maior. Você vai levantando a tampa do bueiro e vendo a profundidade dos problemas. Reduzirei o abismo entre o centro e a Cidade Tiradentes, por exemplo."

Maconha. "Vender maconha em bares foi só um exemplo meio irônico, já que se vende uma série de entorpecentes, como cachaça e cerveja, que fazem parte da cultura nacional. Por que esse assunto não pode ser discutido normalmente? A Prefeitura não tem nenhum poder de mudar a legislação sobre as drogas. Não toco nesse assunto. Só respondo. A discussão já é complicada. São temas que podem levar pessoas a me xingarem de maconheira porque eu aceitei discutir a legislação. O caso do Levy (Fidelix, candidato pelo PRTB, que chamou Soninha de 'maconheira' durante entrevista para o Estado) foi um esculacho. Isso é muito irresponsável."

Pedágio urbano. "É uma das medidas para melhorar o trânsito no centro. Pode ter restrição de forma escalonada em algumas áreas."

Financiamento público. "O financiamento público de campanha é um mecanismo interessante sobre o piso de doação e não o teto. Achar que isso acaba com caixa dois não tem nada a ver."

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