Ação em jato de candidato 'é rotina em período eleitoral', diz presidente da ADPF

Marcos Leôncio Ribeiro, da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal rebateu manifestações de caciques do PMDB de que ação foi truculenta

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2014 | 18h57

Brasília - O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio Ribeiro, afirmou nesta sexta-feira, 26, em entrevista ao Broadcast Político, que a operação realizada no jato do candidato do PMDB ao governo do Maranhão, Edison Lobão Filho, na madrugada de quinta-feira 25, "é rotina em período eleitoral". Segundo ele, havia fundada suspeita, levantada por um policial civil do Estado, de que o avião transportava recursos ilegais provenientes de caixa dois de campanha.

Em manifestações públicas, Lobão Filho e caciques do PMDB, como o presidente do partido e vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), protestaram contra o que classificaram como ação "truculenta" e "intimidatória" da PF. O candidato disse que foi alvo de "constrangimento".

Leôncio Ribeiro afirmou ter conversado com o diretor-regional do Maranhão da ADPF, Rodrigo Santos Correa, que havia falado com o delegado responsável pela operação, Paulo de Tarso Cruz Viana Junior, associado da entidade. Ele disse ter recebido o relato de que, quando da abordagem à comitiva, "não houve nenhuma manifestação de constrangimento" de Lobão Filho.

Para rebater a acusação de ação a partir de uma denúncia anônima, o presidente nacional da ADPF destacou que a equipe comandada pelo delegado relatou que faria a abordagem ao superintendente da PF no Maranhão, Alexandre Silva Saraiva, e à Justiça Eleitoral no Estado.

Leôncio Ribeiro disse que o delegado ficou "surpreso" com a repercussão que o caso ganhou. Ele disse que Paulo de Tarso é maranhense, mas não tem qualquer atividade política. Reconheceu que o pai dele, Paulo Cruz Viana, é ex-prefeito de uma cidade do interior chamada Sítio Novo do Maranhão. Viana apareceu em reportagens apoiando a candidatura ao governo do candidato do PCdoB ao governo, Flávio Dino. "A maioria dos policiais federais do Maranhão é maranhense. São pessoas que têm vida social", afirmou, ao rebater a insinuação de que a ação teve motivos eleitorais.

Segundo o presidente da entidade, o delegado responsável pela operação disse estar tranquilo por ter feito o trabalho dele. A associação vai prestar a assistência jurídica ao delegado na sindicância que deve ser aberta a pedido do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para apurar se houve abuso na ação. Para ele, o processo eleitoral no Maranhão é tradicionalmente muito acirrado e a Polícia Federal, ao cumprir o seu papel, "gera fatos políticos".

"Acredito até que o senador Lobão Filho sai com atestado de que não transporta valores ilegais", afirmou Leôncio Ribeiro. Mais cedo, a ADPF divulgou nota em que defende a ação do delegado e ressalta que "não persegue, não intimida, mas também não deixa intimidar". 

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