Ação de Alckmin pró-cabeça de chapa congela união com Kassab e afasta Afif

Depois da declaração do governador Geraldo Alckmin descartando um acordo com o PSD que passe pela concessão da cabeça de chapa na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2012, o partido do prefeito Gilberto Kassab traça um plano B para a disputa municipal. Sem a coligação com os tucanos, o vice-governador Guilherme Afif Domingos não entra na corrida do ano que vem.

JULIA DUAILIBIALBERTO BOMBIG, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h05

O PSD trabalha, agora, para aumentar o tempo de TV no horário eleitoral gratuito de modo que dê munição para lançar como candidato Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Afif já avisou ao partido que não tem interesse em encarar uma disputa contra o PSDB.

O vice-governador, ex-DEM e agora no PSD, se vê como "avalista" da aliança vitoriosa em 2010 que levou Geraldo Alckmin ao poder. A coligação com os tucanos era uma premissa para ele sair candidato. De acordo com aliados, Afif também avalia ser arriscada uma candidatura que fique com pouco tempo de TV no horário eleitoral gratuito.

Kassab ainda não descartou o plano A, que é a aliança com os tucanos tendo Afif como candidato. Em troca, o PSD apoiaria a reeleição de Alckmin em 2014. Amigo do vice-governador desde os anos 80, o prefeito o vê como nome de confiança para defender seu legado na Prefeitura.

Em reunião no Palácio dos Bandeirantes anteontem com os quatro pré-candidatos tucanos, Alckmin, porém, descartou ceder a cabeça de chapa para o PSD na aliança pela Prefeitura. Foi a primeira fez que negou o acordo de maneira categórica.

O governador teria dito no encontro que o acordo para ceder a cabeça de chapa "só interessa a Kassab". Lembrou que seu partido, o PSDB, tem uma aliança tradicional com o DEM - os tucanos trabalham ainda para fechar coligações com PP, PDT e PSB.

Apesar da declaração de Alckmin contra o acordo proposto por Kassab, o governador articulou postergar para março as prévias que podem escolher o candidato do PSDB - o partido havia estipulado janeiro como prazo.

A operação foi interpretada pelos caciques do PSD como uma abertura para negociação. Apesar de já articular o plano B, Kassab vai insistir no acordo com os tucanos até o ano que vem.

"Quando Alckmin joga a disputa para março, foge da briga, mas não joga a toalha", afirmou um fundador do PSD. "Se ele quisesse fechar as portas, teria aceitado as prévias em janeiro", disse outro líder da sigla.

Hoje, a única possibilidade de aliança com o PSDB na cabeça de chapa é uma candidatura do ex-governador José Serra. Como o tucano diz que não quer, o partido toca prévias entre os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli.

Cenários. Nos cálculos do PSD, entra a candidatura do deputado Gabriel Chalita (PMDB), próximo a Alckmin. No partido, avalia-se que, se o PMDB rifar o parlamentar e se aliar ao PT, a tendência será o PSDB aceitar o acordo, como um contraponto ao fortalecimento do polo adversário.

A estratégia do Palácio dos Bandeirantes, no entanto, vai em outra direção. Os tucanos próximos a Alckmin acham que o prefeito é quem cederá e aceitará compor com o PSDB sem a cabeça de chapa. Dizem que a candidatura do PSD não terá tempo de TV e que há desgaste da imagem de Kassab, intensificado após a ação civil proposta pelo Ministério Público Estadual em razão de supostas fraudes no contrato da Prefeitura com a Controlar, responsável pela inspeção veicular na cidade.

O PSD sabe que precisa de tempo de TV, até mesmo para sentar na mesa de negociação com os tucanos. O partido fez consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, questionando-o sobre os critérios de rateio do fundo partidário, que seguem a regra da divisão do tempo de TV - a Justiça os distribui de acordo com a bancada de deputados eleita. Como o PSD foi criado neste ano, a ideia é que prevaleça a tese de que os deputados que migraram para o novo partido podem levar o tempo de TV e recursos do fundo.

Ontem, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin e Kassab reforçaram a intenção de manter a aliança que governa a capital há sete anos. Para o público externo, Kassab deu sinais de que pode abrir mão de ter a cabeça de chapa. "Não dá para chegar a uma aliança com uma posição tão dura", respondeu Kassab ao ser questionado se insistiria em ter um nome do PSD como candidato a sua sucessão. Ao comentar as declarações de Alckmin, Kassab disse ser "natural" que os partidos queiram ter o candidato. "É uma aspiração legítima do PSDB, como é uma aspiração legítima de qualquer partido." / COLABOROU FELIPE FRAZÃO

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