Ação contra conselho provoca 'desgaste extraordinário' do STF

O Supremo Tribunal Federal sofreu um "desgaste extraordinário" com as duas liminares que limitam poderes do Conselho Nacional de Justiça, avalia a professora da USP Maria Tereza Sadek, diretora do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Judiciais. "O que seria de se estranhar é por que uma questão que estava na pauta para ser votada em setembro recebe essas duas liminares no último dia de reunião do STF", afirmou. "O CNJ só incomoda porque está trabalhando."

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h06

Como a sra. vê essa disputa entre CNJ e STF?

Temos duas formas diferentes de analisar essa disputa. Uma é ficar em um debate eminentemente técnico e jurídico. A outra é tentar analisar do ponto de vista da imagem da Justiça. Eu vou optar pela segunda forma. Houve um desgaste extraordinário. O Supremo saiu com a imagem muito afetada. O CNJ, de uma forma ou de outra, conseguiu ter a simpatia não apenas dos meios de comunicação, mas da opinião pública em geral. O CNJ trouxe para si a tarefa de dar mais transparência a um poder sempre visto como muito fechado e muito refratário.

A sra. acredita que o Judiciário precisa de mais controle?

Em uma democracia, todos os organismos devem ser controlados, sobretudo aqueles que não têm o controle via eleições. Controlada no sentido de prestar contas. Não tenho a menor dúvida de que o Judiciário, assim como o Ministério Público, a Defensoria Pública, a universidade, devam prestar conta à sociedade. Se as corregedorias (dos Tribunais de Justiça) tivessem sido eficientes, não teríamos chegado a essa situação. Toda a ação do CNJ tem mostrado que as corregedorias pecam.

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