Ação atinge aliada de Lula e preocupa Planalto

Alvo da operação, a chefe do escritório da Presidência em SP, Rosemary Noronha, foi nomeada diretamente pelo ex-presidente

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h06

A Operação Porto Seguro caiu como uma bomba no Palácio do Planalto por causa de dois alvos atingidos: a chefe do escritório da representação da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, nomeada diretamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e José Weber Holanda, braço direito do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Rose, como é conhecida, trabalhou pessoalmente pela nomeação dos irmãos Paulo Rodrigues Vieira, para a Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, para a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Ambos foram presos pela Polícia Federal ontem pela manhã. Durante a operação, os computadores usados por Rose foram recolhidos para investigação. Agentes federais chegaram pela manhã ao escritório da Presidência com mandados de busca e apreensão. Até a noite de ontem, o Planalto não havia decidido afastar ou demitir Rose. Oficialmente, o governo disse apenas que obedeceu aos mandados judiciais e cumprirá todos os que chegarem a qualquer órgão público.

A presidente Dilma só teria sido informada ontem da operação pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Foram inúmeras reuniões durante todo dia, seja com Cardozo - com quem havia almoçado na quinta-feira e voltado a se encontrar no fim do dia - com Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e com Luiz Inácio Adams.

Irritação. A presidente Dilma ficou muito irritada com todo este processo e dizia a quem quisesse ouvir que a ordem é não abafar nada e abrir as investigações sobre quem quer que seja. Ela avisou que se tiver que prender alguém, recolher documentos ou material, que seja feito. Não havia informação de que Dilma tivesse conversado com Lula durante o dia, já que o ex-presidente estava voltando da Índia.

A princípio, o Planalto achava que Rose havia entrado na investigação apenas por ser amiga dos diretores das agências presos. Mas, ao longo do dia e das informações, a situação foi se agravando. Mesmo assim, não havia decisão de demiti-la do cargo. Alegava-se que o indiciamento significava que ela estava apenas sendo acusada de cometer um crime e que o processo corria em segredo de justiça. Havia, no entanto, quem defendesse que ela fosse imediatamente afastada, para evitar que o problema contaminasse a presidente Dilma ou fosse instalado no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Proximidade. O assunto é considerado bastante delicado no governo federal por causa da proximidade de Rose com o ex-presidente Lula. Além disso, um dos presos, o diretor da ANA Paulo Rodrigues Vieira, foi indicado por Lula primeiro para a Agencia Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) e depois só conseguiu chegar à ANA por uma manobra do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), que recolocou seu nome em votação, abrindo um precedente nunca visto antes na Casa.

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