'Abril vermelho' começa com morte de sem-terra

Crime ocorreu em Pernambuco, um dos Estados em que o MST lançará invasões até o fim do mês para lembrar massacre de Eldorado dos Carajás

ÂNGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2012 | 03h09

O trabalhador rural assentado Pedro Bruno, ligado ao Movimento dos Sem-Terra (MST), foi assassinado a tiros de revólver na manhã de ontem no município de Gameleira, na região pernambucana da Zona da Mata. Segundo o MST, o crime foi uma retaliação à reocupação do engenho Pereira Grande, realizada domingo, na abertura da agenda deste ano do "abril vermelho" - como é chamada a jornada de ações que o movimento costuma promover neste mês em defesa da reforma agrária.

Na avaliação da dirigente estadual do MST, Cássia Bechara, a morte resultará na intensificação da jornada de lutas em Pernambuco. Ainda segundo a dirigente, a violência na zona rural do Estado vem recrudescendo.

Ela lembrou que o crime ocorreu dez dias após o assassinato - com tiros na cabeça - do líder sem-terra Antonio Tiningo, no município de Jataúba, no agreste. No mesmo dia, pistoleiros atiraram contra um acampamento no município de Altinho. "O latifúndio resolveu mostrar a cara de novo", acusou a dirigente.

De acordo com informações da Ouvidoria Agrária do Incra, no momento da reocupação do engenho Pereira Grande, no domingo, teria havido um desentendimento com seguranças do engenho. Um deles teria ameaçado os sem-terra.

Pedro Bruno não participou da reocupação. Ele passava de moto, pela área em direção ao seu assentamento, também no município de Gameleira, quando foi atingido. A disputa pelo engenho, que pertence à Usina Estreliana, se arrasta na Justiça desde 2003, quando a área foi declarada de interesse social para reforma agrária.

Invasões. Na Bahia, o MST iniciou o "abril vermelho", que lembra a morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), em abril de 1996, com a invasão de uma fazenda de 1.200 hectares, de propriedade da Suzano Papel e Celulose, em Mucuri, no sul do Estado. Os militantes também ocuparam a sede da Secretaria de Educação de Barreiras, no extremo oeste.

Segundo a direção do MST na Bahia, estão programadas, até o fim do mês, 50 invasões. "O objetivo é cobrar agilidade do governo nas desapropriações para a reforma agrária", disse o coordenador estadual, Evanildo Costa.

No Rio Grande do Norte, trabalhadores ligados ao movimento ocuparam um trecho da BR-304, que liga Natal ao interior do Estado do Rio Grande do Norte. O objetivo deles é chamar a atenção para ações do Judiciário, que, segundo o MST, estaria emitindo ordens de reintegração de posse de maneira ilegal em três áreas de acampamentos. / COLABORARAM TIAGO DÉCIMO e ROLDÃO ARRUDA

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