A volta dos que não foram

Roriz, Arruda e Estêvão retomam vida política

DÉBORA ÁLVARES , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h09

Dois ex-governadores e um ex-senador da capital do País famosos por frequentar o noticiário policial nas últimas décadas por suspeita de envolvimento em desvio de recursos públicos, pretendem retomar a carreira política. Joaquim Roriz e Luiz Estevão filiaram-se ao PRTB que, em 2006, elegeu o ex-presidente Fernando Collor senador por Alagoas (hoje ele está no PTB). O ex-governador José Roberto Arruda filiou-se ao PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto (SP).

Roriz pretende ser candidato a governador, cargo que ocupou por 15 anos, em quatro mandatos - o primeiro nomeado pelo então presidente José Sarney (PMDB-AP) e os outros três conquistados nas urnas. Em 2007, seis meses depois de ter tomado posse, ele renunciou ao mandato de senador para fugir de um processo de cassação. Foi levado ao Conselho de Ética sob acusação de quebra de decoro após a divulgação de conversas telefônicas que, segundo a polícia, envolviam a partilha de R$ 2,2 milhões em espécie numa garagem de uma empresa de transporte coletivo urbano.

Arruda quer se candidatar a deputado federal. Em 2009, então governador, ele se viu envolvido em um dos maiores escândalos de Brasília - investigado na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal -, também conhecido por mensalão do DEM. Acabou preso e obrigado a renunciar após aparecer em um vídeo recebendo R$ 50 mil do ex-delegado Durval Barbosa.

A tentativa de ingressar na Câmara dos Deputados é a mesma tática que Arruda usou após renunciar ao mandato de senador, em 2001, por envolvimento na quebra de sigilo da votação da sessão secreta que cassou o mandato do então senador Luiz Estêvão. Mesmo na condição de processado pelo Superior Tribunal de Justiça depois do escândalo, em 2002, Arruda teve votos suficientes para se eleger e voltar ao Congresso.

Direitos suspensos. Dos três homens barulhentos que retomam sua vida política em Brasília, Estêvão é o único que não pode se candidatar no ano que vem. Ele está com os direitos políticos suspensos até fevereiro de 2015. Se quiser voltar a ter um cargo eletivo, terá de esperar até 2018, e não 2016, a exemplo das outras unidades da Federação, já que em Brasília não há eleição municipal.

Embora envolvidos em confusão por todos os lados, Arruda e Roriz não foram alcançados pela Lei da Ficha Limpa, pois não tiveram condenação por órgão colegiado do Judiciário, como determina a legislação. Mas há riscos até lá. Arruda, por exemplo, responde a três processos e há a possibilidade de ao menos um deles ser julgado até maio. Nesse caso, se a decisão for tomada pelo plenário do STJ, ele perderia os direitos políticos e ficaria inelegível por oito anos.

Quanto a Roriz, na semana passada, ele foi condenado pela 3.ª Vara da Fazenda Pública do DF por improbidade administrativa quando era governador, em 1999. A sentença determina a suspensão de seus direitos políticos por cinco anos, pagamento de multa e proibição de assinar contrato com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo de três anos. Mas ele pode recorrer e a punição terá de ser confirmada por um tribunal para que fique inelegível.

Roriz disse ao Estado que é candidato a governador porque é um homem do Executivo. "Quem quer que eu volte é o povo. E não posso dizer não a esse povo."

Mesmo sem condições de concorrer, Estêvão pretende atuar nos bastidores da eleição de Brasília. Lançará a filha Fernanda Meirelles de Oliveira a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Arruda não quis se pronunciar.

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