O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2012 | 03h06

Christiane Samarco e João Domingos

Sete anos depois da divulgação de um vídeo em que o diretor dos Correios Maurício Marinho era flagrado embolsando R$ 3 mil - o que deu origem ao mensalão -, vem aí a CPI da Vingança. Os petistas triturados pela CPI dos Correios veem no inquérito que vai apurar as relações de Carlinhos Cachoeira a chance de ir à forra contra a oposição.

Já os oposicionistas enxergam na CPI a possibilidade de encurralar o PT e até chegar ao Planalto, porque as empresas e os negócios de Cachoeira ultrapassam as divisas de Goiás. Só a Delta Construções, citada na Operação Monte Carlo, recebeu R$ 4,13 bilhões do governo federal de 2007 para cá. Além do mais, o advogado de Cachoeira é ninguém menos que Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça do governo Lula. E Cachoeira foi um "parceiro" de Waldomiro Diniz, que habitava a cozinha do Planalto em 2004.

Peemedebistas experientes, como Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), avaliavam ontem que o PT deu um passo arriscado, pois CPI não é coisa boa nem quando é a favor e o único consenso é o de que ninguém sabe como ela vai terminar. Fala-se em nova "CPI do fim do mundo", com acusações e dossiês por todo lado.

O PT age agora movido pelo trauma da CPI dos Correios, que arrebentou a cúpula do partido e cassou seu ministro mais poderoso. Nesse clima de rancor, os petistas aceitam até abrir uma CPI que pode implicar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que não há muito a fazer se Agnelo estiver mesmo implicado: "Paciência, (ele) sabia dos riscos."

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