A seis dias da eleição, Aécio afirma que vai lançar plano de governo aos poucos

Propostas oficiais da campanha tucana serão apresentadas em ‘fatias’ pelo Facebook; último dos capítulos será lançado a 48 horas de os eleitores irem às urnas

Pedro Venceslau - ENVIADO ESPECIAL a BELO HORIZONTE e Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 23h13

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, desistiu da promessa de lançar seu programa de governo na íntegra na segunda-feira. A justificativa oficial é a mesma dada pela presidente Dilma Rousseff: “ninguém lê” planos de governo. Em vez de documento impresso, os projetos tucanos serão anunciados e discutidos pelo Facebook pelos coordenadores de áreas temáticas e lançados de forma fatiada durante esta última semana de campanha antes do 1.º turno. Dessa forma, o programa completo do candidato do PSDB poderá ser conhecido pelo eleitor apenas a dois dias do 1.º turno.

A estratégia de Aécio, na verdade, visa a evitar polêmicas como as que marcaram a adversária do PSB, Marina Silva, alvo de críticas após recuar de propostas e posições publicadas em documento impresso de mais de 200 páginas, em 29 agosto. Ao mesmo tempo, protege o tucano de eventuais ataques por não apresentar um programa de governo, a exemplo do que decidiu fazer Dilma.

“Apresentar o programa de governo pela web é a forma mais democrática e honesta de discutir um documento dessa complexidade”, afirmou Aécio na manhã de segunda-feira, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. “Não vou divulgar um calhamaço (de papel) porque ninguém vai ler. Vou apresentar um programa para ser debatido e colocado em prática”, disse o tucano, repetindo a presidente, que domingo afirmou que “modernidade não é um calhamaço de papel”.

Na sexta-feira, em ato de campanha em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, Aécio havia dito que o programa de governo seria anunciado segunda-feira, mas em nenhum momento mencionou a estratégia de fatiar o documento ou que não seria ele próprio a divulgar as propostas. O tucano afirmou que vai “gastar sola de sapato” pelo País na última semana de campanha.

O candidato do PSDB está em terceiro na corrida eleitoral. Para tentar chegar ao 2.º turno, Aécio concentrou a agenda nos maiores colégios eleitorais do País, todos no Sudeste: São Paulo, Minas e Rio. Na segunda-feira, depois de São Bernardo, o tucano visitou Uberlândia (MG) e Belo Horizonte.

Aécio decidiu fatiar o programa em quatro áreas gerais: Sustentabilidade, semeando o presente para colher o futuro; Estado democrático, soberano, solidário e eficiente; Cidadania plena: direitos do cidadão e da sociedade e desenvolvimento para todos - este último dividido em dois dias de apresentação -; e, por fim, o capítulo das políticas macroeconômicas.

A apresentação de cada fatia será feita pelos coordenadores setoriais. Na segunda-feira, quem abriu a discussão com internautas foi o ambientalista Fábio Feldmann. Hoje, será a vez do ex-governador de Minas e candidato ao Senado Antonio Anastasia, responsável pela melhoria da gestão pública.

Na terça e na quinta-feira, quem vai conversar com internautas sobre programas sociais, políticas de educação e saúde é uma das coordenadoras da área, Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na gestão FHC. Segundo Aécio, a “complexidade” e a “ousadia” das propostas para “não apenas administrar a pobreza, mas para superar a pobreza”, levaram a essa subdivisão.

Por fim, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga vai falar sobre economia na sexta-feira, antevéspera do 1.º turno. O virtual ministro da Fazenda de Aécio será poupado de uma saia-justa enfrentada pelo próprio candidato: o programa tratará de forma genérica o fim do fator previdenciário. O tucano prometeu acabar com o cálculo redutor de aposentadorias, mas voltou atrás e disse que vai buscar uma “alternativa” para substituí-lo.=

Nesta segunda-feira, ao explicar o fatiamento do programa, Aécio disse ter dado aval ao documento. “O programa está pronto. Fiz alguns ajustes até para fazer uma síntese, porque não é só um diagnóstico. Fui o único a apresentar propostas para o Nordeste, com metas claras, como reduzir em oito anos os índices de criminalidade e incluir os índices de educação dessa região na média nacional.”

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