JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h01

paralelo

A bancada do PSDB na Câmara prepara um relatório paralelo para ser apresentado à CPI do Cachoeira, após a divulgação do documento do relator, Odair Cunha (PT-MG), agendado para 23 de outubro. O documento tucano vai focar, principalmente, os repasses de mais de R$ 250 milhões da construtora Delta a empresas de fachada, cuja investigação o relator não quer aprofundar. "É um contraponto político", justifica o líder Bruno Araújo (PSDB-PE), para quem a comissão politizou a investigação ao deixar a Delta de lado para focar o governador tucano Marconi Perillo, de Goiás.

Vice em jogo

Com a candidatura do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), à presidência da Câmara no biênio 2013-2014, ainda em fase de consolidação, uma ala do PT abriu a briga pela vaga de vice-presidente da Casa, hoje com o PMDB. Os deputados André Vargas (PT-PR) e Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPI do Cachoeira, disputam a cadeira hoje ocupada por Rose de Freitas (PMDB-ES).

Elogio de adversário

O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição, vai explorar no horário eleitoral um vídeo recente, em que a presidente Dilma Rousseff, durante visita à capital mineira, classificou-o como "um dos melhores prefeitos deste País". A campanha na capital mineira ganhou ares de disputa nacional depois que PT e PSB romperam e Dilma interveio, pessoalmente, para lançar a candidatura de Patrus Ananias. Belo Horizonte é uma das poucas capitais em que se espera a visita de Dilma - e do ex-presidente Lula - para reforça a campanha de Patrus.

Terceira via

Em almoço na última segunda-feira, o prefeito de SP, Gilberto Kassab, e Paulo Skaf iniciaram a articulação do presidente da Fiesp como terceira via nas eleições de 2014. O PMDB quer Skaf candidato à sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB).

O êxito do PSD na conquista do fundo partidário e do tempo de televisão, além do estímulo à criação de novas legendas, produzirá a retomada do debate sobre a cláusula de barreira após as eleições municipais, por iniciativa do PMDB, PT e PP, com potencial para agregar ainda PSDB e DEM.

No âmbito da comissão especial da reforma política esse é o ponto que une os grandes partidos, frustrados com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2006, que considerou inconstitucional o mecanismo por ter sido instituído em lei ordinária. A ideia agora é voltar ao tema com uma emenda constitucional, que precisará de 308 votos na Câmara e 49 no Senado para ser aprovada.

O movimento não visa a impedir a criação de novos partidos, mas, sim, o acesso ao fundo partidário e à televisão por legendas nanicas que barganham apoio político nas alianças eleitorais em troca do tempo de propaganda. Articulador da emenda, o deputado Esperidião Amin (PP-SC) considera que a venda do tempo de TV "ultrapassou os limites do razoável". Quando não ocorre com dinheiro, é paga em cargos, "entulhando a máquina do governo".

Depois do PSD, o Tribunal Superior Eleitoral já concedeu registros a mais dois partidos - o PEN (Partido Ecológico Nacional) e o PPL (Partido da Pátria Livre). Até julho deste ano, o PEN, com dois deputados, já recebeu R$ 82 mil do Fundo Partidário.

O valor total recebido até julho, pelos partidos que elegeram bancadas de até três deputados e os que não elegeram nenhum, foi de R$ 10 milhões, em recursos do Orçamento da União. No primeiro caso, a soma é de R$ 7,7 milhões e, no segundo, de R$ 2,3 milhões.

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