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À revista 'Veja', Crivella confirma ter sido preso em 1990

Ao contrário de vídeo divulgado em campanha, no qual dizia não ter sido detido, o candidato à Prefeitura do Rio foi autuado por invasão de domicílio e teve de pagar fiança para ser liberado, informa a publicação

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2016 | 16h54

RIO - Em entrevista à revista 'Veja', divulgada na noite dessa segunda-feira, 24, o candidato à prefeitura do Rio Marcelo Crivella (PRB) confirmou que foi preso e ficou numa cela 'lotada' em 1990, acusado de invasão de domicílio. 

Na edição do último fim de semana, a publicação divulgou áudios e documentos que mostram que Crivella foi autuado por invasão de domicílio no registro de ocorrência 023/1990, tendo pago fiança de R$ 380, em valores de hoje, para ser liberado. 

Após a publicação da reportagem Crivella havia gravado um vídeo e postado nas redes sociais negando a prisão e dizendo que tudo não havia passado de uma "confusão". Crivella dizia que não tinha sido preso, mas que "foi todo mundo levado para a delegacia". 

Na entrevista dessa segunda à revista o candidato mudou sua versão e afirmou que somente ele foi detido. "Só me pegaram (sic). E levaram para a delegacia".

"Sabe por que eu fui preso? Tínhamos um terreno no Largo do Machado. Comprado com a fé do povo, dízimo e ofertas. Foi invadido por gente de rua. Sem teto, sem terra. Era engenheiro da igreja nessa época. Quando chego lá para fazer a obra, os caras estão lá dentro", diz o senador para os repórteres de Veja. 

Ele confirma ainda que invadiu o local, sem autorização judicial. "Eu não aguentava mais aquela situação. Fui lá e buuumm!!! Tirei tudo! E o advogado (que defendia as famílias), muito esperto, que queria fazer uma chantagem, já tinha chamado os policiais, e me deram o flagrante sobre o seguinte crime: uso arbitrário das próprias razões (que equivale a fazer justiça pelas próprias mãos). E me prenderam. Aí, na delegacia, por incrível que pareça, fiquei preso um dia. Carceragem da 9ª DP lotada de gente. E o delegado pra me constranger, malandro, ele mandou fazer essa foto", conta Crivella.

Perguntado se achava justo ter expulsado os moradores, sem decisão judicial, respondeu: "Você acha justo o terreno da igreja, onde você vai construir um templo para pobre, favelado e miserável, e de repente as pessoas invadem? Pessoas que estavam sendo usadas por um advogado que estava querendo extorquir a igreja. Era um terreno caro, mermão!"

Depois da detenção, Crivella recebeu do delegado do caso todos os documentos referentes ao inquérito de 117 páginas, inclusive os negativos das fotografias de sua ficha. O caso não apareceu nos arquivos da Polícia Civil por 26 anos.

Defesa. Crivella não explicou as versões diferentes entre o discurso aos eleitores e a entrevista. "É uma pena que setores da mídia gastem mais tempo tentando prejudicar a candidatura de Marcelo Crivella com fatos antigos do que comparando os planos dos candidatos para gerir a prefeitura. Como o senador Crivella já esclareceu, após a confusão com os invasores do terreno em Laranjeiras, passou parte do dia na delegacia, nunca sofreu processo e muito menos foi condenado por qualquer crime. Tudo não passou de uma confusão, esclarecida sem que houvesse qualquer processo que resultasse em condenação ou muito menos prisão. Crivella tinha 33 anos, agora está prestes a completar 60, na maturidade de uma carreira política caracterizada por ser ficha limpa", informou, em nota, a assessoria do candidato.

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