'A responsabilidade é a mesma', diz petista sobre pedido de convocação de Aécio

Líder do PT na Câmara relembra citação de ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, em delação premiada e afirma que candidato tucano deve ser ouvido na CPI mista

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 18h09

Brasília - O líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), disse nesta quarta-feira que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobrás não pode funcionar "em clima eleitoral". Vicentinho, no entanto, revelou que orientou a bancada a apresentar requerimentos pedindo a convocação do senador reeleito Álvaro Dias (PSDB-PR) e do candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), que acumula a presidência nacional do partido. "O outro (ex-presidente nacional da legenda Sérgio Guerra, citado na delação de Costa) morreu, mas a responsabilidade é a mesma", afirmou.

De acordo com o líder do PT na Câmara, todos os supostos envolvidos no esquema e que foram denunciados no processo de delação premiada - até mesmo o secretário de Finanças e Planejamento da sigla, João Vaccari Neto - precisam prestar esclarecimentos à CPMI. "Para nós, o que interessa é a verdade sobre todos, independente da eleição", disse.

Vicentinho classificou como "besteira" as acusações da oposição de que o diretor de Abastecimento da Petrobrás, José Carlos Cosenza, "manobrou", sob orientação do Palácio do Planalto, para não depor nesta quarta-feira à comissão. Cosenza encaminhou um atestado médico justificando a ausência, mas a oposição desconfia da alegação de que ele teve uma crise hipertensiva. O líder do PT afirmou que, se for o caso, será preciso questionar o médico. "Não acredito que alguém iria inventar uma história dessa", declarou. Vicentinho garantiu não temer o depoimento do doleiro Alberto Youssef à CPMI na próxima semana. De acordo com o líder, o País terá "grandes surpresas quando a verdade vir à tona". "Vamos levar o Brasil a limpo", prometeu.

A mudança de postura da base aliada, que até então atuava para postergar as convocações que poderiam prejudicar o governo, na CPI mista da Petrobrás ocorre após vir à tona que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra foi citado na delação premiada de Paulo Roberto Costa ao Ministério Público Federal. 

Sucessão. Vicentinho disse não acreditar em mudanças na opinião do eleitorado até domingo (26) e considera que a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, caminha para a consolidação da liderança nas pesquisas de intenção de voto. "A tendência é cada vez mais a Dilma crescer e o Aécio diminuir", avaliou.

Perguntado sobre a presidência da Câmara na próxima legislatura, o líder admitiu que a agremiação reivindicará o posto, uma vez que ainda é a maior bancada da Casa, com 70 deputados. O PMDB deve lançar a candidatura do líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ). "Temos ótimos companheiros capazes de presidir a Câmara", concluiu. 

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