JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h02

ao Axé

Depois de gastar R$ 3 milhões com show do tenor italiano Plácido Domingo, para inaugurar o Centro de Eventos de Fortaleza, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), foi impedido de nova extravagância: gastar R$ 600 mil com um show de Ivete Sangalo, na inauguração de um hospital em Sobral, sua base política e do irmão, Ciro Gomes. Um pedido de liminar do Ministério Público de Contas do Ceará, fez o governador desistir. Além do custo, Cid teria problemas com a Justiça Eleitoral, pois a festa seria, na verdade, um showmício pago pelo Estado em favor do candidato à reeleição para a prefeitura, Veveu Arruda, do PT.

O de sempre

Já em Lavras da Mangabeira (CE), o deputado federal, José Airton (PT-CE), promete um hospital de R$ 2 milhões. Seus trunfos: uma emenda parlamentar e o acesso que alardeia ter ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Detalhe: ele é um dos réus do escândalo da Máfia das Ambulâncias, de 2006, que ficaram conhecidos no País como "sanguessugas".

Homofobia

A ida de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura deflagrou uma disputa tão renhida pela relatoria do projeto que criminaliza a homofobia, que o senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos já cogita avocar a função para si ou mesmo deixar que a comissão especial que elabora o novo Código Penal cuide do assunto. Disputam a função que era de Marta, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e o senador Magno Malta (PR-ES), evangélico e notório adversário da proposta. Também do PR, Antonio Carlos Rodrigues, suplente de Marta, é contra a criminalização.

Sabático

Finda a votação do Código Florestal, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) se licencia do Senado, a partir de amanhã. Concilia campanha municipal e direção da CNA. Retorna para a eleição da Mesa Diretora em 2013.

À medida que o julgamento do mensalão avança para a sua fase mais crítica - que envolve as personagens mais representativas do PT - o ex-presidente Lula joga todas as fichas na defesa do partido que estará identificado como o réu maior no processo a partir de agora. Os operadores menos notórios do esquema saem de cena condenados e abrem espaço a lideranças carismáticas que se confundem com a história da legenda.

Lula arrasta quase literalmente para a defesa da tese do mensalão como farsa, intelectuais alinhados com o PT, partidos da base aliada, lideranças como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) - e, por fim, a presidente Dilma Roussef que vai a palanques onde o discurso é a defesa do maior caso de corrupção da história política brasileira, ao menos pela fartura documental que o comprova.

O ex-presidente se mostra decidido a desmentir fatos e distorcer a realidade desde que isso produza efeito agregador no eleitorado, já visivelmente menos refratário às confirmações sucessivas, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da farsa como realidade. Sexta-feira, Lula superou Lula.

Disse ele que "no nosso governo" (dele e de Dilma?) não se culpa o vizinho por erros cometidos. Exatamente o oposto do que se vê e ouve há sete anos - que o mensalão é uma invenção da elite conservadora e da mídia golpista.

Fazem coro a Lula aliados em sua maioria com biografias comprometidas pelo mau exercício da política, mencionado pela ministra Carmem Lúcia ao aconselhar o eleitor a não tomar alguns por todos, referindo-se aos réus do... mensalão.

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