'A qualidade dos nossos programas será medida pela população'

A ministra da Casa Civil diz que o governo precisa de prioridades porque 'não vai conseguir fazer tudo ao mesmo tempo'

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h06

Escalada como gerente do governo para fiscalizar a eficiência da máquina federal, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, 46, pretende focar sua atuação nos projetos considerados como prioritários pelo governo, como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), para obter resultados. "Não vamos conseguir fazer tudo ao mesmo tempo", diz. Ela assumiu a pasta após Antonio Palocci ter sido demitido ainda no ano passado. Leia a entrevista feita pelo Estado.

O que vai mudar na gestão?

Quando assumi, a presidenta me fez uma recomendação muito clara sobre melhorarmos a eficiência da gestão e gerenciamento de programas e projetos prioritários. A determinação da presidenta é a de sermos obsessivos pela boa gestão.

Qual a medida de eficiência?

Se as pessoas estão sentindo mudança nas suas vidas com os programas implementados. Tem uma frase, um pensamento da presidenta, de que a qualidade dos programas será medida pelos resultados sentidos pela população. Muitas vezes você tem um processo bem monitorado, mas não sabe se a ponta está recebendo o serviço ou informação ou a obra resultante desse processo.

Como ver isso em um País do tamanho do nosso, com um governo desse tamanho?

Primeiro é ter foco, quais são os programas que são prioritários e focar neles. Não vamos conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, responder a todas as demandas, então se elencam quais são as prioridades.

De que maneira?

Tivemos uma experiência que foi muito positiva, que é o PAC. Focou prioridade na infraestrutura, dentro de cada área que é importante e prioritária. Teve monitoramento sistemático e recuperamos nossa capacidade de investimento em grandes projetos e grandes obras. Queremos repetir o foco em programas de outras áreas de governo. Se existe ideia de prestação pública de contas, de abertura? Tem, mas por enquanto estamos estruturando.

Qual o papel da Casa Civil?

A Casa Civil coordena a execução dos diversos programas e projetos do governo com foco naquilo que é prioritário. Não faz analises profundas, técnicas. Ela articula, entre diversos ministérios, não só a elaboração, mas também a organização, a execução e busca por resultado. Isso é um papel, é uma gerência, digamos assim.

E o espancamento da ideia, como disse a presidente...

Pra ver se a ideia fica de pé, como ela diz. Acho que é importante porque quando você coloca um programa, um projeto, tem que ser sustentável. Fazemos programas para melhorar a vida das pessoas, para dar resultado. Tem que ser analisado sobre todos os pontos de vista. E, às vezes, o ministério que faz, por estar envolvido demasiadamente com a matéria, acaba não vendo algumas questões que quem está de fora vê.

E o tamanho do ministério?

O tamanho do ministério, como as pessoas falam, não vejo como problema objetivo. Nunca colocamos isso em pauta

A presidente Dilma é a CEO?

É a abordagem que vocês vão dar. A presidenta é uma grande gestora, para mim particularmente é um privilégio trabalhar com ela. É uma mulher que tem muita clareza, determinação, conhece de gestão e está comprometida em melhorar a gestão do Estado brasileiro.

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