Fernando Gallo, Rodrigo Rievers, Belo Horizonte, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2013 | 02h06

Na sua primeira noite sob custódia da Polícia Federal, os nove condenados do mensalão que se apresentaram na sexta-feira em São Paulo e Minas Gerais viveram situações bem diferentes. Enquanto o ex-ministro José Dirceu e o deputado licenciado José Genoino (PT-SP) ficaram praticamente sós em uma sala ampla e sem grades, na Superintendência da PF em São Paulo, os sete de Belo Horizonte passaram horas de desconforto até a manhã do sábado.

Dirceu e Genoino, logo ao chegar, tiveram a escolha de entrar por uma porta dos fundos, se quisessem, para fugir ao assédio da imprensa. Ambos recusaram. "Não, eu vou entrar pela porta da frente, de cabeça erguida", disse Dirceu ao chegar ao local, por volta de 20h30. Oferta recusada, ele caminhou os vinte metros até a entrada, exibindo um leve sorriso e acenando para a militância petista que o aguardava. Poucas horas antes, a mesma oferta havia sido feita a Genoino. Além de recusar, os dois levantaram o punho fechado e erguido, num gesto tradicional da resistência de esquerda. "Sejamos fortes", disse Dirceu ao encontrar e abraçar o companheiro.

Genoino estava emocionado com o apoio recebido. Amigos, a mulher e os filhos os aguardavam - alguns com olhos vermelhos - na porta da PF. Os funcionários de plantão na PF foram "irrepreensíveis" no tratamento aos dois, segundo o advogado de Dirceu, José Luiz de Oliveira Lima, o Juca.

Ambos fizeram à noite uma refeição leve (café, leite, frutas e iogurte), assistiram TV e leram livros - Dirceu entregou a Genoino a biografia de e Getúlio Vargas escrita por Lira Neto, que terminou de ler. Ele próprio está lendo um livro sobre filosofia. Na ampla área onde ficaram, os dois praticamente passaram a noite sozinhos.

A certa altura, Genoino, que passou por uma cirurgia delicada na aorta há algumas semanas, sentiu-se muito ofegante e com pressão baixa. Pediu ao delegado para ir descansar em uma cama e foi conduzido à carceragem do terceiro andar, onde pôde se deitar. Sua recuperação, por ordem médica, inclui controle de alimentação e da pressão e frequentes exames de sangue.

Pela manhã, os dois tomaram um café da manhã comum, com pão, café, leite, frutas e iogurte. Às 9h30 já se movimentavam para deixar a sede da PF e às 11h receberam um lanche de pão com queijo, levado por Juca. Para evitar a imprensa, ao saírem para Congonhas, deixaram a PF pelos fundos em um veículo prata de vidros muito pretos.

Em Minas. Bem mais modestas, as instalações da PF em Belo Horizonte obrigaram os sete condenados que se apresentaram à PF mineira a passar uma noite bem menos confortável. O empresário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, teve de dividir uma única cela, sem banheiro privativo, com ex-sócios com os quais se desentendera assim que o escândalo veio à tona - o publicitário Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. Também lá estavam e o ex- vice-presidente do já falido Banco Rural, José Roberto Salgado.

As duas mulheres, a ex-banqueira Kátia Rabello e a secretária Simone Vasconcelos, tiveram direito a uma sala especial, com banheiro.

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