'A pressão sempre foi para excluir Perillo'

Para petista, problema não foi deixar outros suspeitos de lado, e sim insistir em indiciar tucano por elos com Cachoeira

Entrevista com

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h07

O relator da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG), teve seu texto final adiado por três vezes por falta de acordo e, na sessão final da comissão, foi derrotado por um texto, do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), que o petista classificou de "pizza". Chamado de líder da tropa de choque do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na CPI, que originalmente pretendia investigar apenas membros da oposição e a imprensa, Cunha produziu um relatório desidratado depois de tentar atingir o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e ser obrigado a recuar no indiciamento de jornalistas.

O que significou para o PT a derrota do seu relatório? Só tenho a dizer que quem votou contra o meu relatório votou a favor da tríplice aliança: governador Marconi Perillo, Fernando Cavendish e empreiteira Delta. São muitos e são muito fortes os interesses por trás desses três nomes.

Como o sr. viu os votos contrários da base aliada do governo? Não falaremos em base, mas vamos dizer que a aliança PSDB com PMDB foi o que viabilizou a derrota do meu trabalho.

Faltou articulação política da sua parte? Não. E, infelizmente, a presidente Dilma não entrou na articulação política dessa CPI do Cachoeira. Eu bem que tentei e, se ela tivesse entrado, nós não teríamos perdido. Até porque dois parlamentares que são da base e suplentes do PT votaram contra meu texto.

Faltou jogo de cintura da sua parte? O único jogo que tinha ali era tirar o Perillo do pedido de indiciamento. E isso eu não quis fazer.

O sr. acha que sua recusa a incluir nomes como os de outros governadores contribuiu para que seu relatório fosse rejeitado? De maneira nenhuma. A pressão não era para incluir nomes, mas para excluir Perillo. Podem até fazer críticas ao meu trabalho, mas ninguém pode dizer que fiz um relatório pizza. Nos baseamos em provas. Eu não quis imprimir uma marca pessoal no relatório, quis apenas tentar tirar uma ideia média da opinião de todos. E mais: poderíamos, sim, ter navegado em outros mares, mas a decisão de não prorrogar os trabalhos da CPI não foi minha, foi dos líderes que votaram pelo encerramento da comissão.

Um senador disse que a CPI errou ao começar ouvindo suspeitos-chave do esquema de corrupção, em vez de começar por testemunhas periféricas. O sr. concorda? Bem, agora pelo jeito temos um monte de engenheiro autor de obra pronta.

Foi um erro incluir o nome do procurador-geral da República e de jornalistas em seu relatório? Não.

Foi um erro tirá-los? Também não, pois poderia servir como modo de negociar acordo. Com esses nomes, ninguém nem votaria meu texto e aí eu seria culpado pela pizza. Fiz bem de tirar. / D.B.

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