A presidente na campanha

Ao intervir pessoalmente no diretório mineiro do PSD, em favor do PT, o prefeito Gilberto Kassab quitou uma dívida com a presidente Dilma Rousseff, de alinhamento da legenda ao seu governo, que inclui o apoio à sua reeleição em 2014.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2012 | 03h03

Como efeito colateral, reduz o ritmo de aproximação entre o novo partido e o PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos, cuja desenvoltura na cena política gera no PT a desconfiança de que considera a antecipação de seu projeto presidencial oficialmente previsto para 2018.

O movimento obrigou o PSD a declarar qual a aliança prioritária no momento - se com o governador, se com a presidente. O partido elegeu o PSB como aliado preferencial, ao mesmo tempo em que constrói um espaço próprio na base governista, onde pretende rivalizar com o PMDB e o PT, nessa ordem.

O plano estratégico de chegar em 2014 como ator influente no processo sucessório impôs ao prefeito a aposta em Dilma, sem prejuízo da continuidade da construção da aliança com Campos para 2018 - ou, se houver vento favorável, até uma candidatura própria do PSD, já que o tempo recomenda reavaliações permanentes de cenários.

O episódio revela também uma presidente ativa no tabuleiro das eleições municipais, especialmente onde elas estão nacionalizadas, casos de Minas, São Paulo e Nordeste - este, pela liderança do governador de Pernambuco.

O preço pago por Kassab ficou caro pela inabilidade na condução do processo, que já produziu dissidências num partido que se consolidou há menos de um mês com a conquista do tempo de TV e do fundo partidário.

Dissidência

precoce

A condução do apoio ao PT em Minas irritou alas influentes do PSD, mais ainda as suas lideranças mineiras, revoltadas com a intervenção e revogação da ata da convenção que aprovara a coligação em favor do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). A renúncia e desfiliação do vice-presidente nacional da legenda, Roberto Brant, foi uma reação da primeira hora a anunciar que a unidade do partido recém-nascido está comprometida. Brant se valeu do valor mais importante para os mineiros - a autonomia política - para reacender a rivalidade com os paulistas, discurso já apropriado por Aécio Neves, o outro alvo de Dilma ao intervir indiretamente no PSD local. "Como é que o prefeito de São Paulo desembarca em Belo Horizonte para interferir na política mineira?", pergunta.

Expulsão

O prefeito de Palmas (TO), Raul Filho, do PT, flagrado em vídeo negociando apoio com Carlos Cachoeira, vai à CPI na próxima terça-feira já condenado à expulsão pelo partido.

Olho por olho...

Com base em um parecer que extrapola a questão técnica, o Ibama negou licença ambiental para a construção do Estaleiro Eisa, em Coruripe, sul de Alagoas. Alega o órgão que o empreendimento estimularia a migração e produziria a "favelização" na região, embora a obra estime investimentos de R$ 2 bilhões com geração de 50 mil empregos. Em retaliação, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), barrou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) projeto de lei criando mil novos cargos no Ibama e no Instituto Chico Mendes. Semana que vem, Renan e o governador Teotônio Vilela (PSDB) recorrerão à ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira.

Código Penal

O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) será o relator do novo Código Penal no Senado, que o senador José Sarney quer aprovar até dezembro.

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