Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

A pedido do PSL, Justiça Eleitoral vai fazer auditoria nas urnas no PR e SC

Partido argumentou que foram relatados casos de eleitores que tiveram o voto encerrado antes de pressionar a tecla 'confirma' após o voto para presidente

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 05h00

CURITIBA - A pedido do PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro, o Tribunal Regional do Paraná (TRE-PR) vai realizar nesta sexta-feira, 19, uma auditoria em algumas urnas eletrônicas do Estado e também de Santa Catarina. O objetivo é verificar o funcionamento dos equipamentos usados no primeiro turno das eleições 2018, que foram alvo de reclamações de eleitores no dia da votação.

Serão auditadas cinco urnas de Curitiba e outra de Campo Largo, na região metropolitana, e dois equipamentos de Santa Catarina: uma de Florianópolis e outra de São José. Segundo argumentou o PSL, ao menos no Paraná, foram relatados casos de eleitores que tiveram o voto encerrado antes de pressionar a tecla “confirma”, ou seja, após digitar os números para presidente. Essas e outras reclamações foram registradas em ata pelos mesários.

Nesta quinta-feira, 18, o TRE promoveu uma audiência pública prévia à auditoria, em que participaram cerca de 300 pessoas. Segundo o advogado do PSL, Gustavo Kfouri, as reclamações levaram ao pedido de auditoria. “A linguagem popular a respeito de fraude, ou não, mostra a frustração do eleitor não teve concluída sua vontade de votar normalmente. Essas ocorrências que foram comunicadas ao partido por meio de reclamações ocorreram em determinadas circunstâncias, tecnicamente temos que resolver o que aconteceu”, disse.

A decisão pela auditoria é do desembargador Gilberto Ferreira, corregedor do TRE. A averiguação será feita por uma Comissão de Auditoria, formada por três técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três do TRE, um da Polícia Federal, um indicado pelo PT e outro do PSL, que possuem candidatos presidenciáveis. “Os auditores, na ocasião, vão responder a uma pergunta muito simples: os problemas apontados pelos eleitores foram decorrentes de algum tipo de fraude visando modificar a intenção do voto?”, afirmou Ferreira.

Foram convidados para acompanhar a auditoria também representantes do Tribunal, do Ministério Público Eleitoral, da Ordem dos Advogados do Brasil, de comissões eleitorais, e representantes de associações de redes de rádio, televisão e imprensa do Paraná.

Entidades descartam fraudes

Durante a audiência desta quinta-feira, a promotora do Ministério Público Eleitoral do Paraná, Andrea Beraldi, afirmou que descarta a possibilidade de fraude. “Atesto a qualidade da urna eletrônica. (...) Essa questão de digitar o último dígito e não aparecer o confirma não pode ser atribuída a uma fraude, mas sim a uma falha, é por isso que essa auditoria veio a calhar”, disse. Segundo ela, porém, se forem constatados problemas, os responsáveis podem ser punidos.

Garantindo que todas as reclamações de eleitores serão objeto de análise na auditoria, o desembargador Gilberto Ferreira afirmou que confia na lisura das urnas. “A urna eletrônica veio justamente para corrigir as possíveis fraudes que poderiam ocorrer no sistema antigo”. Ele ressaltou que, no primeiro turno, no Estado, foram registradas 800 reclamações atestadas por mesários, o que representa 0,02% do total de cerca de seis milhões de eleitores do Paraná.

Apesar de descartar possibilidade de fraude, o presidente do Tribunal paranaense, desembargador Luiz Taro Oyama, destacou que, nas auditorias, serão verificados os motivos das falhas. “Podemos garantir ao eleitor que o voto é confiável e que o voto foi computado (no caso das urnas alvos de queixas pelos eleitores). Essa auditoria deve comprovar isso”, afirmou.

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