A pane política de Lula

A informação extraoficial de que a Controladoria Geral da União (CGU) já decidiu pela declaração de inidoneidade da Delta determinou a desistência do grupo J&F da operação de compra da empresa líder das obras do PAC. E pôs a pique outra iniciativa atribuída ao ex-presidente Lula na sua cruzada para influir no julgamento do mensalão, a favor do PT.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2012 | 03h04

A operação funcionaria como antídoto ao efeito colateral da CPI do Cachoeira sobre o governo da afilhada política Dilma Rousseff. Sob nova direção, a extensa folha corrida da Delta seria debitada à conta de uma gestão fraudulenta, não detectada pelo governo, e passível de interdição com o aval deste.

Para dar certo era preciso remover três montanhas, proeza a exigir mais que a fé bíblica: restringir as investigações da Delta à Região Centro-Oeste, seduzir o comprador a entrar numa aventura e garantir a participação do BNDES na operação. Além, claro, de contar com uma dose generosa de ingenuidade coletiva.

Estratégia tão amadora compromete a mítica eficiência política de Lula, reconhecida até pelos seus adversários, e o nivela à turma dos "aloprados", com apenas dois anos fora do poder. É como uma pane política a indicar que o desespero com o iminente julgamento do mensalão não se restringe apenas ao companheiro José Dirceu, como teria dito ao ministro Gilmar Mendes na versão deste para a conversa entre ambos.

Versão que resiste a todos os desmentidos, como demonstra a operação do PT abortando pronunciamentos de seus parlamentares em defesa do ex-presidente, segundo a conclusão de que é melhor não manter acesa a polêmica.

Números

preliminares

A Controladoria-Geral da União apenas cumpre os prazos legais e adota a cautela de colher o máximo possível de informações para decretar a inidoneidade da Delta. Mas o levantamento em mãos do ministro Jorge Hage, já de conhecimento da CPI, autoriza a decisão, que tem o apoio do Palácio do Planalto. Números preliminares registram 90 casos de superfaturamento na execução de obras, 18 superfaturamentos em aditivos e 9 licitações de porte direcionadas. É pouco ainda, diante do que deverá emergir da quebra de sigilo da empresa e após sua intervenção.

Caixa-preta

Integrantes da CPI consideram urgente o depoimento do ex-diretor do Dnit, Luis Antonio Pagot, após as entrevistas de fim de semana, em que denuncia o uso de verbas públicas para caixa dois de campanhas do PT e PSDB. Há uma desconfiança de que Pagot decidiu contar o que sabe por sentir-se, no mínimo, ameaçado. Requerimento pela sua convocação deve ganhar preferência de votação.

Partilha

O PMDB deverá ceder a cabeça de chapa ao PT em três capitais: Goiânia, São Luís do Maranhão e Fortaleza. Na capital cearense, o PMDB só abre mão da candidatura própria a favor dos petistas Camilo Santana ou Nelson Martins, secretários do governador Cid Gomes. Se a prefeita Luizianne Lins insistir na candidatura de Elmano Freitas, PMDB e PSB prometem romper a aliança com PT e lançar candidato próprio.

Sem veto

A pedido do governador Eduardo Campos, o ex-presidente Lula levantou o veto ao nome do senador Humberto Costa como opção de terceira via para pacificar o PT na disputa interna pela prefeitura do Recife. Lula não confia no suplente de Costa no Senado, Joaquim Francisco (PSB), de longo passado pefelista.

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