'A onça vai beber água', diz Dilma em comício em São Paulo

Candidata à reeleição esteve ao lado de Lula e Alexandre Padilha diante de uma platéia de 10 mil pessoas na capital paulista

Ricardo Galhardo , O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 23h46

No último grande ato de campanha no primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff disse ontem, no Campo Limpo, tradicional reduto petista na Zona Sul da cidade, que domingo é "a hora de a onça beber água".

"Eleição é isso. É hora de parar, pensar e ir para a rua disputar o voto. É essa a hora de a onça beber água. A onça vai beber água. Nós vamos colocar os pingos nos is", afirmou a presidente.

O comício que reuniu cerca de 10 mil pessoas, segundo funcionários da CET (a Polícia Militar não esteve no local) foi também o primeiro evento eleitoral em que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceram ao lado do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha.

Com as intenções de voto do petista em baixa, Lula e Dilma enfileiraram críticas ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição e líder absoluto nas pesquisas.

Lula, que fez o discurso mais longo e inflamado da noite, disse não entender como a população que foi às ruas em junho do ano passado pedir mudanças pode reeleger o PSDB para o quinto mandato consecutivo em São Paulo.

"Você pergunta para as pessoas sobre segurança e eles falam que está ruim. Pergunta sobre saúde e dizem que está ruim. Se a coisa está tão ruim, porque tem gente que vota no Alckmin? Porque tem gente que fala tanto em mudança e vota nele?", questionou o ex-presidente.

Dilma, que estava nitidamente rouca, acusou o governo paulista de tentar se apropriar de programas e obras bancados, em parte, pelo governo federal.

"Venho agradecer e, humildemente, pedir o voto de vocês. Aí as coisas vão ficar claras. Porque muita coisa que passa como se fosse feita pelo governo estadual não é verdade, foram feitas com dinheiro do governo federal", afirmou a presidente.

Lula disse estar incomodado com casos de agressões e hostilidade a petistas nas ruas de São Paulo durante a disputa eleitoral. "Se tem uma coisa que me deixou muito nervoso foi saber que aqui em São Paulo tinha gente sendo agredida por usar bandeira ou camisa do PT. Tinha gente sendo hostilizada", disse Lula, que convocou a militância do partido a ir para as ruas com as cores do partido como forma de reação.

Entre as milhares de pessoas que foram ao comício havia desde militantes petistas autênticos e moradores da região até cabos eleitorais pagos, cuja remuneração variava de R$ 30 por dia de "militância" até R$ 300 pelo pacote de dez dias.

A região que inclui os bairros de Campo Limpo, Parelhereiros, M Boi Mirim e Cidade Tiradentes é um reduto petista histórico onde, em média, o partido tem em torno de 60% de votos.

A região também tem forte presença do PR, representado no comício pelo senador Antonio Carlos Rodrigues. Embora os partidos sejam aliados tanto em nível federal quanto estadual, cabos eleitorais das duas siglas se estranharam e provocaram um início de confusão logo no início da fala de Dilma. Alguns deles trocaram tapas espantando eleitores que foram ao comício para ouvir Lula e a presidente. Depois do evento a confusão continuou nas ruas que davam acesso ao palanque.

O ato, no entanto, teve clima de festa. Militantes pagos e autênticos dançavam ao som dos jingles de campanha, alguns deles com versões em diversos ritmos como forró, axé, samba e sertanejo.

Dezenas de vendedores ambulantes ofereciam sanduíches, espetinhos, refrigerantes e cerveja. O vendedor de tapioca Francisco Darlyn, conhecido como Chefe Chiquinho da tapiocaria Raízes do Nordeste, vendeu 500 unidades das 16h às 21h, mais do que o dobro do movimento normal. Em um dia comum ele vende cerca de 200 unidades. "O comício da Dilma me deu sorte", disse o chefe Chiquinho.

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