'A Nação não aguenta mais', afirma Barbosa

Relator desabafa durante explanação de revisor, com que mantém série de atritos desde 2 de agosto, e diz, recorrendo ao inglês: 'Let's move on'

MARIÂNGELA GALLUCCI, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2012 | 00h24

Relator do processo do mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou ontem, na 51.ª sessão do caso cuja avaliação começou em 2 de agosto: "Acredito que a Nação não aguenta mais este julgamento. Está na hora de acabar, está na hora. Como diriam os ingleses, let's move on (vamos em frente)".

O desabafo foi feito no momento em que o revisor da ação, Ricardo Lewandowski, lia uma proposta detalhada para modificar as penas de multa estabelecidas em novembro pelo STF para serem pagas pelos condenados por envolvimento com o mensalão. Lewandowski disse que não havia critérios objetivos na definição dessas punições, originalmente fixadas num total de R$ 22,3 milhões. Após o protesto de Barbosa, Lewandowski apresentou a proposta de forma resumida.

Rotina. Ao longo dos últimos quatro meses, esse não foi o único momento de tensão entre relator e revisor nem a única oportunidade em que o presidente demonstrou estar cansado. A previsão inicial era de que o julgamento demorasse semanas. Mas, como os debates se alongaram, todos os prognósticos não se cumpriram. Nesses quatro meses, dois ministros aposentaram-se compulsoriamente. E o relator, que sofre de problemas crônicos no quadril, deixou transparecer por várias vezes o desconforto com a demora.

Um dos episódios mais emblemático da tensão ocorreu logo no início do julgamento, em agosto. Barbosa acusou Lewandowski de "deslealdade" após o colega ter votado a favor do desmembramento do processo, um assunto que tinha sido debatido pelo tribunal anteriormente. O revisor afirmou que o termo usado era muito forte, que se sentia atacado pessoalmente e que o episódio indicava que o julgamento seria "muito tumultuado".

O clima de tensão esteve presente no plenário da Corte quase que durante todo o julgamento do processo que condenou 25 dos 37 réus e já é recordista em duração. O fato de relator e revisor terem opiniões diferentes em relação à culpa dos réus, às penas e às consequências das condenações foi o principal fator de acirramento dos ânimos em várias situações.

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