'A minha obrigação é dirigir o País', diz Dilma

Em solenidade no Palácio do Planalto, presidente nega estar em campanha pela reeleição e argumenta que não quer, na metade do governo, discutir 2014

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2013 | 02h11

Apesar de intensificar a agenda de viagens e dar tom eleitoral a seus discursos, a presidente Dilma Rousseff negou ontem que já esteja em campanha pela reeleição. Dilma afirmou que se dedica integralmente a governar o País.

"Eu não estou em campanha. Sabe por que eu não estou em campanha? Porque eu tenho obrigação durante 24 horas por dia de dirigir o Brasil. E quero te dizer o seguinte: É impossível, impossível, qualquer desvio dessa rota. Talvez a única pessoa que não tenha interesse nenhum em discutir o processo eleitoral na metade do seu governo seja eu", disse a presidente, que participou da cerimônia de abertura da exposição "O Olhar que ouve" do músico Carlinhos Brown. O evento, no Palácio do Planalto, foi aberto ao público.

Na cerimônia, Dilma foi apresentada à caxirola, instrumento idealizado por Brown para ser usado pela torcida durante os jogos da Copa do Mundo.

A presidente saiu em defesa do seu governo e voltou a atacar os que, segundo ela, "torcem para que o Brasil dê errado".

"Tem muita gente torcendo para o Brasil dar errado, é só você olhar", afirmou Dilma, sem citar nomes. Questionada se este seria o caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato tucano ao Planalto em 2014, a presidente ironizou: "Não sei, não perguntei para ele, querido. Aí é sua função".

Ao criticar os "pessimistas", a presidente retomou o tom do pronunciamento de janeiro, em cadeia de rádio e TV, quando anunciou a redução das contas de energia elétrica e atacou a oposição por alardear um risco de racionamento no País. Na ocasião, Dilma classificou as declarações como "uma absoluta irresponsabilidade e absoluto pessimismo", que "joga contra os interesses do País".

Perguntada sobre o programa de TV do PSB, que é estrelado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos - visto no Planalto como potencial rival nas urnas em 2014 -, a presidente desconversou: "Cada partido tem direito de fazer o seu programa. Eu não estou curiosa nem com o meu". Dilma gravou na semana passada a sua participação no programa do PT, que deve ser exibido no dia 9 de maio e cujas inserções começarão a ser veiculadas na TV e no rádio no próximo dia 27.

BNH. Dilma exaltou o programa Minha Casa, Minha Vida e criticou a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmando que no governo do tucano não havia um plano "maciço" de moradia popular. "Fiz este programa desde o início. Na época do presidente Fernando Henrique não houve um programa deste porte. A última vez que houve um programa deste porte foi no BNH (Banco Nacional de Habitação, extinto em 1986). Do BNH pra cá, você não teve nenhum programa maciço de criação de casas populares", afirmou. "No governo passado, não se podia, talvez pela crise do Estado, talvez por convicção, não se cogitava fazer subsídios."

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