Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

A mais frustrante campanha de Levy Fidelix

Candidato do PRTB esperava apoio de Bolsonaro – e não teve. ‘Em 2018, entregamos o vice a ele’, afirma; na quinta tentativa de disputar à Prefeitura, insistiu no ‘aerotrem’

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 05h00

A quinta tentativa de Levy Fidelix (PRTB) tentar se eleger prefeito de São Paulo é também a mais frustrante. Dois anos depois de ceder o vice Hamilton Mourão para a chapa presidencial, ele esperava apoio de Jair Bolsonaro: não teve. Esperava que a figura de Mourão atraísse votos e o fizesse aparecer como um candidato competitivo pela primeira vez: não aconteceu. Contava que a onda conservadora que mostrou força no Brasil em 2018 ainda estivesse imperante nas redes sociais em 2020: também não deu certo.

O clima era de otimismo em agosto, quando Levy foi lançado pelo partido para sua 15ª disputa eleitoral – sem nenhum resultado positivo para os diferentes cargos que concorreu até aqui. “Mourão será um diferencial excepcional. É um dos grandes diferenciais que no passado não tínhamos”, disse. Três meses depois, culpou os institutos de pesquisa por seu desempenho ruim e alta rejeição e afirmou que se viu “entrando num jogo de futebol perdendo de 100 a 0” para os adversários com mais recursos.

A grande decepção de Levy foi que Bolsonaro o ignorou. O presidente chegou a afirmar que não se envolveria nas eleições municipais, mas decidiu usar sua influência em prol do candidato do Republicanos, Celso Russomanno. Levy se chateou: “Em 2018, entregamos o vice a ele. Eu esperava reciprocidade sem dúvida nenhuma, mas não posso falar por ele”.

A mágoa com o presidente ficou perceptível no discurso de Levy, que mudou de tom da pré-campanha para cá. Antes, dizia ter muita sinergia com o bolsonarismo. Chegou a prometeu fazer o PRTB “caminhar junto” com o partido que Bolsonaro tenta criar, o Aliança Pelo Brasil. Depois, até criticou a política econômica do presidente, que classificou como monetarista e disse que não é “gado”, como são chamados pejorativamente apoiadores do presidente nas redes sociais. “Podemos ter ideias similares de defesa da Pátria, contra o comunismo, mas não sou gado. Tenho meu livre pensamento. Não sou conduzido.”

Mourão apareceu na campanha de Levy dizendo que o PRTB tinha “um homem certo” para a cidade. “Um homem que sempre esteve comprometido com a direita, com as causas boas do nosso País e com boa administração de recursos públicos”, diz Mourão ao lado de Levy no vídeo.

Conhecido por insistir na ideia do “aerotrem” – um monotrilho suspenso – como solução para o transporte público em São Paulo, Levy voltou a defender a proposta que o transformou em uma figura folclórica na política paulista e nacional. Também falou em criar um boulevard com quadras e áreas verdes em cima dos rios Tietê e Pinheiros e propôs ações relacionadas a patriotismo, como tornar obrigatório o Hino Nacional nas escolas. Na saúde, o candidato prometeu contratar “motomédicos” para agilizar atendimentos de emergência e introduzir o delivery de remédios no setor público. Ele falou ainda em construir o novo paço municipal na região da cracolândia e em erguer na Rua Santa Ifigênia o “maior shopping de tecnologia da América Latina”.

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