À espera de Serra, tucanos agem para deter prévia e compensar pré-candidatos

Oito meses após anunciarem prévia para escolher o candidato a prefeito, líderes do PSDB começaram a atuar nos bastidores para derrubar a disputa interna, abrindo caminho à candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo. Parte da bancada tucana na Assembleia divulgou nota em que pede ao ex-governador que aceite disputar e que o partido desista da prévia. A ação causou polêmica na legenda, dividida entre realizar ou não a disputa.

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h06

Neste momento, no entanto, prossegue uma divergência de timing entre o governador Geraldo Alckmin e Serra, que não resolveu se é candidato. Alckmin deseja que ele se decida antes da prévia, em 4 de março. Por isso a articulação para que a disputa seja suspensa, caso Serra dê o sinal verde de que estará na corrida.

Mas, segundo interlocutores, Serra não dá indicativos de que resolverá até lá. Para aliados, é possível que estenda o processo até a convenção, em junho. Se isso ocorrer, o PSDB terá que realizar a prévia e depois negociar com o vencedor um apoio a uma eventual candidatura Serra.

No Palácio dos Bandeirantes, estudam-se compensações para os quatro pré-candidatos que colocaram os nomes na prévia, sobre a qual Alckmin chegou a dizer que era sua "obrigação moral" defender.

"Estou sentindo um movimento para derrubar (as prévias). Mas isso só vai acontecer se me derrubarem no voto. Sou a favor das prévias e vou defendê-las até a última hora", desabafou o presidente estadual tucano, Pedro Tobias. O partido já gastou pelo menos R$ 100 mil com a organização da prévia, dinheiro público do Fundo Partidário.

No governo, avalia-se que dois dos pré-candidatos, os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente), abririam mão do processo em favor de Serra. O "problema" seria o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli. Entre as compensações para desistirem, está o fortalecimento da pasta de Energia, que abrigaria a de Saneamento, e a indicação deles para um cargo de direção na campanha.

Os dois rechaçam a tese de acordo. "Acho um desrespeito", disse Tripoli. Aníbal afirmou que a direção do partido não "descredenciou a prévia". "O processo está em andamento."

Há, porém, quem avalie que o custo político para Alckmin de um "engavetamento" da prévia seja muito alto. A saída seria despejar as fichas em Bruno ou Matarazzo para depois negociar o apoio a Serra. "As prévias vão acontecer. O que vier depois, só a dinâmica da política vai dizer", disse Xico Graziano, ex-secretário de Meio Ambiente de Serra.

Nota. Assinada pelo líder do PSDB na Assembleia, Orlando Morando, a nota defendendo a candidatura de Serra dizia que ele não deve disputar a prévia: "Um homem público da qualidade de Serra, com toda a sua vivência e experiência adquirida nos cargos públicos que ocupou, não tem que disputar prévias".

O texto foi divulgado à revelia do Palácio dos Bandeirantes e não contou com o apoio de toda a bancada. Tobias, que é deputado estadual, divulgou nota desautorizando Morando: "As prévias para escolha do candidato do PSDB são fato consumado".

A movimentação levou a uma reunião de emergência entre as equipes dos pré-candidatos. No encontro, na noite de ontem, um emissário do governador afirmou que a disputa está mantida.

Semeghini disse ontem não haver no estatuto prazo sobre as inscrições na prévia, apesar de resolução interna, apoiada por ele, estipular o dia 14 como data final. Ele afirmou que a eleição interna será mantida e que os pré-candidatos adquiriram direito de disputá-la e "ninguém vai poder tirar (isso) deles". "Se houver qualquer interesse do Serra, será antes das prévias, pois ele terá de participar do processo." Alckmin disse que, se Serra for candidato, a sigla vai avaliar a questão. "Se ele se dispuser a ser, e não tem essa definição, o partido vai avaliar." / JULIA DUAILIBI, FERNANDO GALLO, LUCAS DE ABREU MAIA e GUSTAVO URIBE

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