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A escolha de Marina

A surpresa da aliança entre o governador Eduardo Campos e a ex-ministra Marina Silva é proporcional à sua eficácia política e eleitoral. A escolha do PSB por Marina dobra o potencial de dois candidatos que, isolados, já garantiam a realização de um segundo turno. Juntos, acrescentam à disputa a competitividade que faltava e podem mesmo roubar do PSDB o papel de protagonista da oposição.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2013 | 02h06

Ao se unirem, somam as imagens de perseguidos por um partido que, no governo, trabalhou para impedir a criação da Rede Sustentabilidade e mostrou com o rompimento da aliança para a prefeitura do Recife, origem da dissidência do governador, que não respeita acordos. Sem confiança não se faz política e a confiança que sobrou na aliança de ontem falta historicamente ao PT.

Não era mesmo um desfecho fácil de imaginar, pela condição de candidatos de Campos e Marina, que os tornava concorrentes ao mesmo cargo. A lógica política poderia prever esse pacto num segundo turno eleitoral, jamais antes do primeiro. Só a renúncia de um dos dois à candidatura presidencial poderia alterar essa realidade, o que parece já ter acontecido com a admissão de Marina em apoiar Campos.

De todos os candidatos postos, só Campos e Marina têm a seu favor o trunfo da novidade, a que se junta agora o do desprendimento ao formarem uma dupla em que um abdicará em favor do outro. O elo, explorado ontem nos discursos feitos no evento de filiação, é a ruptura com a "velha política" como pediram os manifestantes nas passeatas de junho, da qual a aliança anunciada é sua materialização.

Enquanto os dois oferecem o espetáculo da união pela causa comum, de uma nova forma de se fazer política, o PSDB volta à estaca zero na definição de seu candidato e reproduz o conflito que, em 2010, ajudou a derrotar o partido. Em 48 horas, Marina encerrou o debate com seus correligionários sobre o rumo a tomar após o revés na justiça eleitoral, e anunciou a opção politicamente mais racional de dar sentido à derrota no tribunal mantendo seu projeto em cena.

A chapa Campos-Marina é duro revés no esforço do ex-presidente Lula em polarizar a eleição novamente com o PSDB e abala o voo de cruzeiro que caracterizava até ontem a campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff. Ao risco de agravamento da economia em 2014 e a provável prisão de condenados do mensalão acrescenta agora às suas preocupações de estrategista a solidez de uma oposição até ontem fragilizada.

Campos ganha a militância que lhe faltava na campanha, importante reforço para nacionalizar sua candidatura. Não por acaso, disfarçava ontem o êxtase que invadiu sua rotina sem maiores avisos.

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