A corrida por uma marca que vá além do continuísmo

Cenário: Vera Rosa

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h04

A presidente Dilma Rousseff corre contra o tempo para construir uma marca de governo que não seja a mera continuidade da administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Candidata à reeleição em 2014, com problemas na economia e diante de escândalos descobertos na esteira da Operação Porto Seguro, Dilma faz de tudo para montar uma agenda capaz de entrar na segunda metade do mandato, em 2013, com um portfólio de obras, e não com projetos na prateleira.

Dilma sabe que a economia é fundamental para a sua reeleição e quer um crescimento de no mínimo 4% em 2014, ano da disputa. As estimativas para 2012 não ultrapassam 1% e analistas já dizem que o resultado aponta para um "biênio perdido", numa referência à primeira metade de seu mandato.

É com esse cenário à vista e pretendentes a ocupar a sua cadeira tanto na seara da oposição, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), quanto na base aliada - caso do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) -, que Dilma trabalha para tirar da burocracia projetos emblemáticos, como o trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro e as obras de transposição do Rio São Francisco.

Ela anunciou ontem a entrega da milionésima unidade do programa Minha Casa Minha Vida e amanhã lançará o pacote de portos, com investimentos na faixa de R$ 60 bilhões. Depois de passar um pente-fino nas medidas por causa da Operação Porto Seguro, que flagrou a então chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, e diretores de agências reguladoras negociando pareceres técnicos, Dilma não quis adiar mais o projeto. O ex-senador Gilberto Miranda (PMDB) apareceu nos grampos da Polícia Federal como interessado em ampliar sua influência em terminais portuários de Santos.

Apesar da determinação de Dilma, o receio, no Planalto, é que a "agenda positiva" seja agora ofuscada pelas investigações da PF, que também deixaram o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, em situação delicada.

Ao comemorar a entrega de 1 milhão de casas do Minha Casa Minha Vida, após uma série de atrasos no cronograma, Dilma disse que o próximo governante, "seja ele quem for", terá de prosseguir com a nova etapa do programa. "Seja quem seja que governe esse País, terá que cumprir, dar continuidade", afirmou ela. Na mesma cerimônia, Dilma deu a entender que o plano de moradia é um de seus xodós e pode se transformar em marca de sua gestão, embora iniciado no mandato de Lula, pois terá nova embalagem. A conferir.

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