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A campanha tomou conta

Não há novidade na natureza da crise entre a base aliada, notadamente o PMDB, e o governo: os ingredientes são os mesmos de sempre, agravados pela antecipação da campanha eleitoral que impõe aos atores políticos urgência na consolidação de posições e poder de fogo regional. Nas duas circunstâncias, dependem do governo e, sob pressão do tempo e dos compromissos, ensaiam situações-limite, em que o discurso de ruptura é banalizado para servir de chantagem explícita.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h09

Um dado que impede restringir a crise à não liberação de emendas é que o contingenciamento foi significativamente menor este ano do que nos dois últimos - reflexo já da preocupação eleitoral do governo. Em 2011 e 2012, o contingenciamento foi de R$ 55 bilhões e R$ 50 bilhões, respectivamente, contra R$ 27 bilhões em 2013.

O que acirra os ânimos nesse contexto é que o PMDB acusa o governo de preservar mais seu rival na aliança, o PT, debitando a maior parte do sacrifício aos ministérios sob seu comando. É um aspecto apenas da disputa por espaço entre os dois gigantes da base governista, cuja síntese melhor fez o veterano deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), para quem o PMDB deixou de ser agente passivo para assumir um papel hegemônico na aliança, empurrando a presidente Dilma Rousseff para um papel de resistência necessário, que a faz mais vítima por virtudes, nesse momento, do que por defeitos.

Quando classifica, como ontem, na Etiópia, de "pontuais" os problemas com o PMDB, a presidente Dilma Rousseff localiza o foco da crise nas disputas regionais afetadas pela aliança em torno de sua reeleição e exibe domínio sobre a crise.

E indiretamente sugere que é cedo para se diagnosticar uma perda de comando do vice-presidente Michel Temer, para o líder da bancada na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que apenas soube capitalizar as insatisfações em seu favor pessoal. A CPI da Petrobrás não deve ser vista como ameaça concreta: afinal, para uma base que já montou uma CPI - a do Cachoeira - para não dar em nada, é simples anunciar outra para não ser instalada, Seu provável óbito deverá servir à reabilitação de Temer e do Presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Certo, daqui em diante, é que matérias de caráter suprapartidário, assim entendidas aquelas que afetam interesses estaduais de formas diversas, deverão ser adiadas para 2015, para evitar estresses maiores do governo com a base, como se deu na MP dos Portos - o que reduzirá o ritmo do Congresso a partir do segundo semestre. 

Guerra

A presidente Dilma Rousseff volta a Pernambuco em junho, pela terceira vez em seis meses. Vai sobrevoar as obras de transposição do Rio São Francisco. A meta é dividir o eleitorado de Campos.

 

Vice

O vice na chapa da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para concorrer ao governo do Paraná, deverá ser o deputado Eduardo Sciarra, líder do PSD.

 

Consolo

Como prêmio de consolação pela renúncia à candidatura de prefeito em Belo Horizonte, o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) pode ser vice na chapa do ministro Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2014. Quintão queria mesmo era um ministério.

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