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A aposta no segundo turno

Alianças

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2013 | 02h09

estaduais

Aliado do PT no plano nacional, o PSB de Eduardo Campos selou alianças com o PSDB em todos os Estados governados por tucanos: Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Alagoas, Pará, Tocantins e Roraima. No governo paulista de Geraldo Alckmin, o deputado Márcio França, presidente estadual do PSB, deixou um aliado em seu lugar, na Secretaria de Turismo, depois de se afastar do cargo quando seu partido decidiu apoiar Fernando Haddad (PT) na eleição da capital, em 2012. Apenas em Goiás o PSB rompeu com os tucanos, entregando a estatal de turismo para apoiar o PT no pleito municipal.

Dor de cabeça

A expansão da banda larga trouxe mais dor de cabeça ao ministro Paulo Bernardo (Comunicações). A limpeza de uma faixa do espectro para a entrada da telefonia móvel 4G vai rebaixar os canais das TVs públicas, que ocupam a faixa UHF e podem cair para VHF. A mudança compromete a transmissão das TVs legislativas, canais de propaganda gratuita dos parlamentares.

Mídia paga

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) apresentou requerimento à Mesa Diretora para que o Planalto informe o valor dos gastos do governo, principalmente das estatais, com publicidade em blogs e portais de notícias na internet. Houve um aumento de 483% dessa despesa em dez anos. Se o governo não informar, configura crime de responsabilidade. O tucano também promete recorrer à Lei de Acesso à Informação. Ele quer saber se o dinheiro público está financiando "as milícias do ciberespeaço que atacam na internet os adversários do PT".

Baixo clero

Vinte deputados da base aliada pediram audiência ao governador Eduardo Campos (PSB), logo depois da Semana Santa. Reclamam que o governo os trata mal, mesmo sendo leais. "Somos base e recebemos tratamento da oposição", resume o pemedebista Geneciano Noronha (CE).

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) acha que ainda vai sofrer por mais tempo a indiferença do ex-governador José Serra (PSDB-SP), mas não acredita em sua saída do partido, segundo tem dito a interlocutores. A mesma convicção têm os tucanos que estiveram com Serra em São Paulo nos últimos dias e acham que a possibilidade de ele aceitar o convite de Roberto Freire para se filiar ao PPS é zero.

Mesmo o elogio de Serra ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a quem considerou publicamente um ótimo candidato, consegue leitura positiva da equipe de campanha do senador mineiro. A menção comparativa à candidatura adversária reconhece a de Aécio, dizem seus aliados, recusando a provocação.

Aécio avalia que só tem a ganhar com a candidatura de Campos e também com a de Marina Silva. Considera que o primeiro divide os votos do Nordeste, onde o PT é forte. E Marina atrai voto ideológico, além dos evangélicos. Essa soma garante, teoricamente, um segundo turno, quando o PSDB espera ter a lealdade do eleitor. "Sempre fomos oposição, nunca mudamos de lado", alfineta um aecista.

Essa convicção impõe como prioridade a pacificação interna, ficando para 2014 a costura das alianças, num cenário eleitoral "mais realista". Aécio insiste em ser presidente do partido para percorrer o País com a candidatura já reconhecida pelo PSDB. Tem sido esse o ponto mais resistente junto a Serra e Alckmin, e há quem sustente que o cargo não é tão importante para o senador quanto ele faz acreditar: estaria apenas valorizando-o para usá-lo como moeda de troca na hora decisiva da negociação.

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