Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

A 10 dias da eleição, França anuncia ampliação de porte de fuzil para a PM

Medida já está sendo posta em prática há ao menos cinco meses, segundo informou a Polícia Militar

Felipe Resk e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2018 | 23h18

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), anunciou nesta quinta-feira, 27, a ampliação do uso de fuzis com maior precisão e alcance pela Polícia Militar em todas as regiões do Estado. O anúncio ocorre a dez dias da realização da eleição, na qual França concorre e onde a Segurança Pública despontou como tema central, mas a medida já está sendo posta em prática há ao menos cinco meses, segundo informou a Polícia Militar ao Estado. O governo nega relação entre a divulgação e a proximidade do pleito eleitoral.

Segundo o Palácio dos Bandeirantes, o "projeto" está sendo implementado desde o primeiro semestre. O governador tem como candidata à vice na sua chapa a coronel Eliane Nikoluk (PR) e já causou polêmica ao homenagear, em maio, uma cabo da PM que matou um criminoso que tentava realizar um assalto próximo a uma escola.

A administração disse que o armamento, "que era de uso permanente da instituição em operações específicas", será utilizado no policiamento ostensivo e preventivo. O governo acrescentou que o treinamento e o número de policiais militares com habilitação para usar fuzil têm aumentado na corporação. "O objetivo é ampliar ainda mais o poder de reação dos PMs e também a percepção de segurança da população." França visitou na manhã desta quinta-feira, 27, o canil da corporação e em seguida foi à Academia do Barro Branco.

O  governador disse que a medida enfrenta a violência. “O policial que está nas ruas, atendendo a uma ocorrência em que o bandido possui uma arma pesada, precisa ter o mesmo poder de reação. E isso será possível com a ampliação do número de fuzis. Estamos equipando a polícia cada vez mais e com as melhores armas para enfrentar a violência", disse França.

Sobre a proximidade com a eleição, França disse que essa "não é uma pauta política". "É uma resposta de apoio aos policiais. Como tenho feito nesses cinco meses. Na homenagem à policial que reagiu ao assalto na escola, no enterro de policiais em serviço e nos elogios aos bons policiais. A eleição vai passar, meus netos vão continuar morando em São Paulo. Os melhores índices de todos os tempos de São Paulo foram obtidos nesses cinco meses e vão continuar caindo."

Na prática, segundo explicou o coronel Fábio Pelegrini, do setor de comunicação social da Polícia Militar, os batalhões tiveram a orientação de armar mais viaturas com os fuzis, que antes ficavam armazenados em uma reserva de arma. "Quando tinha operação, pegava o fuzil no quartel. A praxe era que a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, batalhão de choque da PM) e os Baeps (Batalhão de Ações Especiais), além de algumas forças táticas, andassem com mais frequência com esse armamento. Mas o novo comandante já quando assumiu informou sobre a intenção de atender ao pleito antigo dos policiais", disse.

Para ele, a mudança leva a uma maior percepção de segurança para a população, assim como dissuade criminosos propensos a confrontos. "Quando o marginal ver o policial melhor armado a possibilidade de ir para cima é menor. O fato de chegar na ocorrência portando armamento mais pesado já intimida", disse. O coronel explicou que o uso do fuzil segue procedimentos de progressão da força. "O policial não vai ficar apontando fuzil para a população."

As mortes causadas por policiais bateram recorde no ano de 2017, com 940 casos. Foi o maior número de toda a série histórica do Estado, iniciada em 2001. A Secretaria da Segurança atribuiu a alta a uma maior disposição para o confronto por parte dos criminosos, que estariam também melhor armados.

A Ouvidoria das polícias discorda da tese. O órgão analisou a maior parte das mortes e encontrou indícios de excessos dos policiais em 74% das ocorrências analisadas. Confronto com quadrilhas fortemente armadas representou 1% dos casos. Com 415 mortes, a letalidade policial caiu 9,5% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. O comandante-geral, coronel Marcelo Vieira Salles, atribuiu a queda à implementação de políticas de redução da letalidade.

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