60% dos candidatos 'lucram' na eleição

Prestações de contas apontam superávit na maioria dos balanços oficiais dos políticos que disputaram cadeira de prefeito em outubro

AMANDA ROSSI, DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h02

Seis entre dez candidatos a prefeito nas eleições de 2012 fecharam as contas de campanha com saldo positivo e estão livres de dívidas eleitorais. Eles gastaram na campanha menos do que receberam em doações e vão precisar devolver o excedente para o diretório local do partido, seguindo determinações da legislação eleitoral.

A economia total, contudo, não foi alta e fechou em R$ 5,4 milhões. O valor é apenas um quinto da dívida acumulada pelo maior devedor, Fernando Haddad (PT). A explicação para isso é que 88% dos candidatos que não se endividaram deixaram na conta R$ 100 ou menos. É o caso de José Serra, por exemplo, que gastou R$ 2 a menos do que arrecadou. Outros 72 economizaram no mínimo R$ 10 mil, sendo 11 acima de R$ 100 mil.

A maior sobra foi da candidata à Prefeitura de Londrina (PR) Márcia Helena Carvalho Lopes, filiada ao PT e ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no segundo governo Lula. Ficaram nos cofres da campanha R$ 582 mil. Com menos de 15% dos votos válidos, Márcia Lopes foi derrotada no 1.º turno. "Havia uma expectativa de irmos para o 2.º turno e fizemos um planejamento bastante enxuto", explica Márcia Lopes. A perspectiva era economizar para gastar no 2.º turno, que não veio. De acordo com a candidata, o dinheiro extra não teria feito diferença no resultado eleitoral.

Além dela, Arthur Virgílio está na lista dos que tiveram um saldo positivo de mais de R$ 100 mil. Eleito prefeito em Manaus pelo PSDB, ele deixou de gastar R$ 172 mil do valor obtido pela sua campanha. Segundo a assessoria de imprensa do ex-senador, foi possível economizar na última semana antes do 2.º turno porque o candidato estava com vantagem nas pesquisas.

Conta zerada. Um terço dos candidatos gastaram exatamente aquilo que arrecadaram e fecharam a conta de campanha no zero. São 4 mil concorrentes que foram cirúrgicos nas despesas. É o caso do prefeito eleito em Belém, Zenaldo Coutinho, do PSDB. Ele arrecadou R$ 21.114.786 e gastou exatamente o mesmo valor na campanha.

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