50% dos vereadores 'fichas-sujas' consegue se reeleger no País

Segundo ONG, dos 75 parlamentares com pendências judiciais, 37 mantiveram seus mandatos em 19 capitais

Daiene Cardoso, da Agência Estado

07 de outubro de 2008 | 15h41

Levantamento da ONG Transparência Brasil mostra que metade dos vereadores "fichas-sujas" que concorriam à reeleição em 19 capitais conseguiu se reeleger. Segundo a entidade, dos 75 parlamentares com pendências judiciais, 37 mantiveram seus mandatos. De acordo com a ONG, em Belo Horizonte, Fortaleza, Palmas, Cuiabá e Boa Vista, todos os candidatos com pendências na Justiça eleitoral ou sanção no Tribunal de Contas foram reconduzidos ao cargo. Na capital mineira, três foram reeleitos e nas outras capitais só um era "ficha-suja". Veja Também:PSDB mostra força e elege mais vereadores no Estado de SPMetade dos candidatos a prefeito nas capitais enfrentam processosConfira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?    Vereador digital: Depoimentos e perfis de candidatos em São Paulo   Tire suas dúvidas sobre as eleições  Os paulistanos reelegeram nove dos 12 candidatos com pendências judiciais. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, três dos cinco vereadores conseguiram manter seus cargos. Em Salvador, só dois dos seis candidatos saíram vitoriosos das urnas. Já os eleitores de João Pessoa, Porto Alegre, Curitiba, Porto Velho e Recife não reelegeram nenhum "ficha-suja". Para o coordenador do projeto, Fabiano Angélico, houve um avanço na discussão sobre a conduta dos parlamentares nos últimos meses (incluindo a recente divulgação da lista da Associação dos Magistrados do Brasil), o que pode ter contribuído na decisão do eleitor. No entanto, a informação não chegou a todos. "Temos o caso de uma vereadora presa que foi eleita no Rio (Carminha Jerominho, do PTdoB) e nove vereadores que mantiveram o cargo em São Paulo. Não dá para ficar satisfeito", lamentou Angélico.  O primeiro levantamento do gênero feito pela ONG foi baseado nos dados fornecidos pelas Cortes de cada Estado. Não foram considerados litígios de natureza privada (como pedido de pensão alimentícia) e crimes contra honra (calúnia e difamação, por exemplo). Processos em primeira instância só foram incluídos em situações em que o recurso de segunda instância partiu do Ministério Público. Contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral foram registradas nos casos em que os políticos não recorreram.

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