40% dos prefeitos eleitos já ocuparam o cargo antes

Levantamento inclui candidatos reeleitos e nomes que já haviam ocupado o posto em gestões anteriores

AMANDA ROSSI / ESTADÃO DADOS, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h05

Quatro entre dez eleitos para comandar as prefeituras a partir de 2013 vão voltar para a cadeira que um dia ocuparam. Três desses quatro são os atuais prefeitos, que concorreram à reeleição e venceram. O quarto é um ex-prefeito que já comandou a prefeitura em pelo menos um mandato desde 1996. Os outros seis novos prefeitos vão governar a cidade pela primeira vez nos últimos 16 anos, pelo menos.

Em porcentagem, a taxa de retorno dos quadros é de 38%. O índice é alto, considerando que as eleições de 2012 são o fim de um ciclo de reeleição. Isso ocorre porque no pleito de 2000, quando a reeleição para prefeito passou a valer, todos poderiam candidatar-se novamente, marcando o início de um ciclo. Assim, na eleição seguinte, menos prefeitos puderam concorrer. No total, 1.515 foram reeleitos este ano, 205 a mais que no último fim de ciclo, em 2004. Outros 615 ex-prefeitos voltarão ao cargo.

Nas 83 maiores cidades do Brasil, com mais de 200 mil eleitores, a taxa de retorno é um pouco menor: 34%. Nelas, 20 prefeitos foram reeleitos, sendo que a maioria das definições ocorreu já no primeiro turno - casos do Rio de Janeiro, com Eduardo Paes (PMDB) e de Belo Horizonte, com Marcio Lacerda (PSB). Outros oito ex-prefeitos venceram, um deles em Natal. Nas demais cidades, entre elas São Paulo, houve renovação.

Os dados foram obtidos pelo Estadão Dados a partir de um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) sobre os candidatos que tentavam a reeleição e os que já haviam sido eleitos prefeitos pelo menos uma vez desde 1996.

Partidos. O DEM é a sigla com menor taxa de renovação. Metade dos prefeitos democratas eleitos em 2012 vão ocupar o cargo pela segunda vez - ou seja, são prefeitos reeleitos ou ex-prefeitos. Na Bahia, o DEM venceu com um ex-prefeito em Feira de Santana (BA), por exemplo.

Em seguida, aparece o PSDB, com taxa de retorno de 44%. Nesta conta, os ex-prefeitos são 17 de cada 100 novos eleitos, a maior proporção entre os grandes partidos. Em Teresina (PI), por exemplo, capital sob domínio tucano há cinco mandatos consecutivos, o ex-prefeito Firmino Filho vai voltar para a prefeitura.

Para o PMDB, a taxa de repetição dos quadros é de 43%. Já PT e PSB tiveram a maior renovação entre os maiores partidos. Prefeitos reeleitos e ex-prefeitos representam 33% e 35% dos novos prefeitos dos petistas e pessebistas, respectivamente.

Candidatos. Os atuais prefeitos tiveram mais facilidade em conquistar um novo mandato do que os ex-prefeitos. Enquanto 55% dos que disputaram a reeleição saíram das urnas vitoriosos, só 35% dos ex-prefeitos candidatos vão voltar para a prefeitura. A taxa de 55% dos prefeitos é, contudo, a menor da história. Em 2000 e 2004, elas foram de 58%, e em 2008 de 65%.

Mas, segundo o professor de ciência política da USP Ricardo Ceneviva, a taxa de reeleição deste ano voltou para os níveis de 2000 e 2004, depois do que teria sido um padrão atípico em 2008. "Em 2008, o caixa dos municípios era bem melhor do que agora, dado o grande crescimento econômico do Brasil no período. Quando a economia vai bem, o eleitor tende a estar mais satisfeito com a administração pública em geral", pontua.

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