200 famílias do MST ocupam área no norte fluminense

Complexo industrial abriga usina onde teriam sido incinerados corpos de militantes políticos durante o regime militar

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h00

Cerca de 200 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) ocuparam na madrugada de ontem um complexo industrial em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. O lugar abrigava a Usina Cambahyba, local onde teriam sido incinerados os corpos de pelo menos dez militantes políticos durante o regime militar no País.

A usina, um complexo de sete fazendas com extensão de 3,5 mil hectares, pertencia a Heli Ribeiro Gomes, ex-vice governador do Rio, e agora é controlada por seus herdeiros. O MST argumenta que a propriedade foi considerada improdutiva por decisão do juiz federal Dario Ribeiro Machado Júnior, no último dia 17 de junho. O movimento também afirma que o complexo industrial tem dívidas com a União, além de não pagar indenizações trabalhistas e cometer crimes ambientais.

Esta é a segunda vez que o MST ocupa parte da área da usina. A primeira invasão ocorreu no ano 2000, mas, seis anos depois, policiais federais e militares, por decisão da Justiça Federal de Campos, cumpriram uma ordem de despejo das 100 famílias que já viviam no acampamento Oziel Alves II.

Processo parado. Segundo os sem terra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) considerou as terras improdutivas e passíveis de desapropriação para fins de reforma agrária há mais de 14 anos, mas o processo de desapropriação está paralisado desde então.

A denúncia de que os fornos da usina foram usados para incinerar corpos de militantes políticos durante a ditadura tornou-se pública no livro Memórias da uma guerra suja, do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Cláudio Guerra, lançado em maio. À época, o Ministério Público Federal chegou a instaurar uma investigação para apurar a veracidade das declarações de Guerra. O procurador da República Eduardo Santos de Oliveira determinou que fossem expedidos ofícios à Comissão Nacional da Verdade e à Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, pedindo informações e documentos relacionados ao caso.

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