1º de Maio põe inflação na agenda política

Em atos da Força e da CUT, Aécio acusa PT de 'perder controle' da estabilidade e ministro diz que Dilma age como 'leoa' contra alta de preços

Isadora Peron e Fernando Gallo - O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2013 | 02h09

A inflação foi o tema que dominou ontem os eventos de comemoração do Dia do Trabalhador organizados em São Paulo pela CUT e pela Forca Sindical, obrigando o governo federal a abordar o assunto e a rebater a tese da oposição de que há risco futuro de corrosão dos salários dos trabalhadores.

Valendo-se do "palanque" oferecido pela Força Sindical, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato à Presidência em 2014, disse que o governo "vem perdendo o controle" da situação. O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que representou a presidente Dilma Rousseff nos dois eventos, afirmou, em discurso aos trabalhadores, que a petista age como "uma leoa" contra a alta dos preços. Em pronunciamento na TV ontem, Dilma disse que a luta contra a inflação é permanente (veja abaixo).

O governador de Pernambuco (PSB), Eduardo Campos, também presidenciável, não compareceu ao evento da Força, mas enviou emissários de seu partido que se uniram à retórica tucana e endossaram as críticas sobre a sombra da inflação.

Aécio definiu a inflação como "um fantasma que volta a rondar a mesa dos brasileiros" - referência ao aumento dos preços dos alimentos - e voltou a dizer que Dilma trata o assunto com "leniência". "A maior conquista dos brasileiros (a estabilidade econômica) está sendo colocada em risco pela leniência do governo do PT com a inflação." O tucano defendeu uma política fiscal mais firme.

Carvalho defendeu a política econômica de governos do PT. Segundo ele, a inflação aumentou por motivos sazonais e já está sob controle. "Não é verdade que vai subir. Teve um pico nos últimos meses, mas começou a cair. A presidenta Dilma zela como uma leoa em defesa dos trabalhadores para que a inflação não coma os salários."

O ministro acusou a oposição de comemorar a pressão inflacionária "na linha do quanto pior melhor". Em entrevista, disse que o governo não permitirá "que se passe a ideia de que estamos em uma crise sem fim". Em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourou o teto da meta para este ano, que é de 6,5%.

Reindexação. O presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que tem se aproximado do governador Eduardo Campos, fez um dos discursos mais duros contra Dilma e disse que "ninguém a aguenta" mais na Presidência. Lançou uma campanha pela volta do gatilho salarial, no qual os salários passam a ser reajustados cada vez que a inflação acumular alta de 3%.

O presidente da CUT nacional, Vagner Freitas, rebateu a Força horas mais tarde. "Não há nada pior que a inflação para o trabalhador. Agora, querer vir no 1.º de Maio e dizer que a pauta da classe trabalhadora é fazer campanha para impedir a inflação é entrar no jogo do banqueiro internacional, do Bradesco, do Itaú, que quer que aumente a taxa de juros e demita os trabalhadores para controlar a inflação", afirmou.

A proposta de Paulinho para a criação do gatilho foi mal recebida tanto no governo como na oposição. O ministro do Trabalho, Manoel Dias, também do PDT, rechaçou a ideia. "O gatilho já existiu quando a inflação estava fora do controle. Hoje o governo tem o controle. Ela começa a recuar." Aécio também disse ser contra, mas ponderou que o tema está sendo discutido "exatamente porque o governo do PT vem perdendo o controle da inflação".

O ministro Gilberto Carvalho ironizou a presença do tucano Aécio Neves em uma festa dos trabalhadores. "É legítimo que eles (tucanos) venham a um ato como esse. Deveriam ter vindo até antes. Nós viemos sempre", provocou, / COLABOROU BEATRIZ BULLA

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