Voto de Celso de Mello polariza Twitter. De novo.

Voto de Celso de Mello polariza Twitter. De novo.

Jose Roberto de Toledo

18 de setembro de 2013 | 19h37

Clique/toque na imagem para interagir com o gráfico

 

Está ficando monótono: a cada polêmica envolvendo política brasileira, o Twitter se divide em dois campos antagônicos, que se ignoram. Foi assim com o Mais Médicos, é assim com o voto de minerva do ministro Celso de Mello – que decidiu por dar nova chance aos réus do mensalão julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

O gráfico preparado pelo Labic.net (Universidade Federal do Espírito Santo) a pedido do Estadão Dados evidencia a polarização dos tuiteiros em duas redes distantes e distintas, cujos integrantes tendem a se conectar quase exclusivamente entre si. No meio das duas aparecem os perfis de veículos impressos, da chamada velha mídia, que são os únicos capazes de se conectar aos dois lados.

No Fla-Flu sobre o voto de Celso de Mello, a rede azul reúne tuiteiros que, na maioria, são a favor da condenação dos réus. Destacam-se perfis como @faxinanopoder_ e @mensalaonao. Na ponta oposta do gráfico, a rede verde conecta usuários que, majoritariamente, são mais simpáticos aos réus, como @blogdomiro e @stanleyburburin.

Entre os dois extremos, ocupando o espaço deixado entre as redes azul e verde, aparecem perfis de veículos de comunicação, como @estadao, @jornaloglobo e @canalglobonews – todos pintados de vermelho. No gráfico, cada ponto é um usuário, e cada linha, um retuíte, uma citação ou uma conversa entre dois usuários. Quanto maior a circunferência do ponto, mais conexões ele estabeleceu.

Há perfis, como o @revistapiaui, que conseguem grande repercussão, mas ocupam posição mais distante do centro do debate, com a maioria das citações sendo feitas por tuiteiros que não tiveram outra ligação senão a com a revista.

Mesmo entre os veículos de comunicação há os que atraem mais conexões de um lado do que de outro e acabam pintados pelo software com a cor da rede dentro da qual mais se relacionam. São os casos das revistas Veja, na rede azul, e Carta Capital, na rede verde.

Não há qualquer avaliação sobre posições ideológicas ou comportamentais de cada usuário. Sua cor e sua posição no gráfico dependem exclusivamente de suas conexões. É literalmente um caso de “diga-me com quem andas que te direi quem és”.