Usineiros já admitem quebra de 6,2% da safra de cana

Jose Roberto de Toledo

13 de julho de 2011 | 14h46

A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) divulgou relatório nesta quarta-feira admitindo, pela primeira vez, uma quebra da atual safra (2001/2012) de cana-de-açúcar. A nova projeção é 6,16% menor do que a feita no começo do ano. E é 4,21% menor do que a safra passada. Menos cana significa menos açúcar e/ou menos etanol. A quebra já se refletiu nos preços de ambos os produtos.

Usineiros ouvidos por este blog prevêem que a quebra será ainda maior do que a admitida agora pela Unica: entre 10% e 12%. As causas são principalmente climáticas: não choveu quando a cana estava brotando no ano passado, choveu demais no começo deste ano (estressando as plantas) e geou há duas semanas. Como consequência, a produtividade por hectare caiu muito, assim como a quantidade de açúcares recuperados por tonelada de cana.

Se o preço do álcool combustível já disparou na entressafra passada (dezembro a março), a quebra da produção na safra em andamento deve produzir um cenário ainda pior, com mais pressão sobre o preço dos combustíveis e risco de inflação. E num ano eleitoral. Redução de consumo e aumento de preços são inimigos de qualquer governo em época de eleição.

Por isso, o governo Dilma está preocupado e tem tentado negociar saídas com os produtores. Mas há pouco a fazer agora. Uma das medidas tem sido aumentar a produção de álcool anidro (em detrimento do açúcar e do etanol hidratado). Misturado à gasolina, o anidro rende potencialmente quatro vezes mais combustível. Mas isso só faz aumentar o preço do hidratado (usado em carros flex) e do açúcar.

A quebra já era prevista entre usineiros (embora não fosse admitida publicamente, nem pelo governo), e foi antecipada no blog em duas ocasiões: aqui e aqui.

Veja a íntegra do relatório da Unica.

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