Uma radiografia da queda dos assassinatos em São Paulo

Uma radiografia da queda dos assassinatos em São Paulo

Jose Roberto de Toledo

02 de fevereiro de 2011 | 20h12

O número de assassinatos na cidade de São Paulo caiu 80% ao longo dos últimos nove anos. Segundo dados preliminares do Pro-Aim, um serviço da Secretaria Municipal da Saúde, os homicídios caíram de 6.683 em 2001 para 1.262 no ano passado.

A redução significa que pelo menos 30 mil vidas foram poupadas nesse período. Esse é o número de pessoas que teriam sido assassinadas a mais na década passada se a epidemia de violência não tivesse diminuído tão rapidamente.

Não há uma causa única que possa explicar um fenômeno dessa magnitude. Há três causas de fundo que, ao que tudo indica, estão entre as principais responsáveis pela redução.

A primeiro delas é demográfica: a população paulistana está envelhecendo, há cada vez menos jovens. E são os homens de 20 a 29 anos as principais vítimas e os principais autores dos assassinatos. Diminui a população de risco, cai a taxa de homicídio.

Como consequência, o peso das assassinatos de paulistanos com 50 anos ou mais mais do que dobrou ao longo dos últimos 15 anos. Não que mais veteranos estejam sendo mortos -o número absoluto diminuiu-, mas a queda foi muito mais acentuada entre os jovens.

O outro motivo é a implementação da política nacional de desarmamento. A queda das mortes violentas coincide com o começo da apreensão das armas. Um estudo acadêmico estima que um assassinato é evitado a cada 18 armas apreendidas.

Pode-se incluir entre as causas gerais o bom desempenho da economia ao longo da década passada, o que fez aumentar as oportunidades de emprego para os jovens -além do acesso ao crédito, que melhorou o padrão de consumo das fatias mais pobres da população.

Se essas causas se aplicam a toda a cidade (e ao país), questões específicas ajudam a compreender porque em alguns locais a taxa de assassinato caiu mais do que em outros. Entram nessa conta desde novos padrões de policiamento até a construção de mais e melhores equipamentos sociais, como escolas de período integral.

Isso vale, por exemplo, para o Jardim Ângela, que chegou a ser símbolo da violência na cidade, e hoje ostenta uma taxa de homicídio quase civilizada: 15 mortos para cada 100 mil habitantes. Ela chegou a ser de 111/100 mil em 2001.

Mas as diferenças entre bairros ricos e pobres persistem. O morador do Brás, um reduto popular próximo ao centro paulistano, corre um risco cinco vezes maior de ser assassinado que um morador de Moema, um bairro rico da zona sul.

É um problema que se estende a outras áreas centrais da cidade, como Sé e República. A explicação passa pela concentração de cortiços e pelo consumo e venda de drogas como o crack. E requerem ações policias específicas para resolver o problema. Desse a demografia não dará conta.

Tudo o que sabemos sobre:

demografiainfográficosSPviolência

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.