Tudo que voa tem que pousar

Tudo que voa tem que pousar

Jose Roberto de Toledo

31 de janeiro de 2011 | 04h09

As viagens aéreas alcançaram altitude inédita no Brasil em 2010. Em apenas um ano, os pousos e decolagens aumentaram 16%. Mais impressionante ainda, o volume de passageiros cresceu 20%.

Não foi um salto repentino. O crescimento tem sido permanente pelo menos desde 2003, embora o ritmo varie. Em 2008, por exemplo, a crise fez o aumento ser menor. Em nenhum ano da última década o volume de passageiros cresceu tanto quanto em 2010.

Foram 342 mil pousos/decolagens a mais do que em 2009. E 26,2 milhões de novos passageiros no ar. Isso equivale ao movimento do maior aeroporto brasileiro, o de Guarulhos, ao longo de um ano inteiro.

O mercado de aviação é um dos mais eloquentes exemplos do que acontece quando uma massa de novos consumidores entra de repente, no caso, a bordo.

O movimento de aeronaves em voos domésticos nos aeroportos administrados pela Infraero cresceu 50% em apenas sete anos. E como os aviões estão cada vez mais lotados, o volume de passageiros em voos dentro do país mais do que dobrou nesse período: 126% de aumento.

Sem que a infra-estrutura aeroportuária consiga dar conta de atender essa explosão de demanda, os atrasos se tornaram frequentes. Mas o crescimento não foi homogêneo. Alguns aeroportos viram seu movimento aumentar muito mais do que outros.

Nos últimos cinco anos, Guarulhos ultrapassou Congonhas (SP) e se tornou o mais movimentado aeródromo brasileiro. Isso se deveu, em parte, à redução do número de voos em Congonhas após acidente com avião da TAM.

Como consequência, o número de passageiros embarcados e desembarcados em Guarulhos cresceu 70% desde 2006, isto é, 20 pontos porcentuais acima da média nacional. Foram 11 milhões a mais de pessoas circulando pelos seus saguões e salas de embarque.

A confusão teria sido ainda maior se outros 4,2 milhões de passageiros não tivessem sido deslocados para Viracopos (Campinas – SP). O aeroporto do interior paulista viu multiplicar por cinco o número de passageiros desde 2006. Foi anunciada a sua ampliação na semana passada.

Depois de Viracopos, os aeroportos que mais cresceram em movimento nos últimos cinco anos foram os de Cuiabá (129%), João Pessoa (124%) e o reformado Santos-Dumont, no Rio (120%).

Com exceção de Congonhas, todos os demais principais aeroportos brasileiros cresceram exponencialmente em movimento nos últimos cinco anos. O que cresceu menos, o Galeão, viu mais 38% de passageiros.

Em alguns, a situação está perto do limite. O aeroporto de Porto Seguro é um dos poucos grandes a não ser administrado pela Infraero. É estadual e sua gestão é feita por uma empresa privada. Em apenas dois anos o movimento cresceu em um terço e já equivale ao de Foz do Iguaçu.

O terminal está sendo dobrado de tamanho, segundo a Sinart. As obras são mais do que necessárias. Atualmente, circulam 3 mil passageiros por dia pelos 3.270 metros quadrados do aeroporto: dá pouco mais de 1 metro quadrado por pessoa.

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