Sobram mais homens em idade reprodutiva no Brasil

Sobram mais homens em idade reprodutiva no Brasil

Jose Roberto de Toledo

02 de setembro de 2013 | 19h38

Se você é homem, tem até 31 anos e acha difícil encontrar uma parceira, a estatística pode consolá-lo. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que há mais homens do que mulheres em todas as idades mais jovens do que essa. Entre os brasileiros com 15 anos de idade, por exemplo, há 61 mil a mais do sexo masculino que do feminino.

Se esse é o panorama de 2013, a tendência é que o fenômeno se intensifique no futuro. O excedente de homens deve se estender também às faixas etárias mais avançadas. Em 2017, deverá haver no Brasil mais homens que mulheres entre 15 a 49 anos – a chamada idade fértil. Em 2060, o excedente masculino chegará a 1,2 milhão de homens nessa faixa etária.

As estatísticas foram compiladas pelo Estadão Dados a partir das tabelas de projeções populacionais do IBGE divulgadas na semana passada. Na população total, continuará havendo mais mulheres que homens ainda por muitas décadas. A razão é simples: elas vivem mais. A expectativa de vida para a população masculina é de 70,6 anos, contra 77,7 para as mulheres.

Porém, nas idades mais jovens, os homens começaram a ultrapassar as mulheres na virada do século e deverão continuar fazendo isso em um futuro próximo. Na faixa dos 40 anos, por exemplo, há hoje 28,4 mil mulheres a mais. Em 2060, estarão sobrando 27,2 mil homens nessa idade.

Há duas explicações para o fenômeno. Normalmente, nascem cerca de 5% a mais de homens do que de mulheres no mundo. Mas essa proporção já foi observada em diversos países. As estatísticas do Registro Civil, por exemplo, mostram que em 2011 foram registrados 104,9 meninos para cada 100 meninas.

Como a mortalidade de homens jovens é bem maior que a de mulheres – principalmente por causas violentas, como homicídios ou acidentes de trânsito –, o excedente masculino acabava perecendo até inverter e sobrarem mais mulheres. A diminuição da mortalidade no Brasil nos últimos anos, principalmente na infância, passou a anular esse efeito. Por isso, sobram cada vez mais homens nos grupos mais jovens.

“Como nascem 5% mais homens que mulheres, a tendência é de que existam 5% a mais de homens em todas as faixas etárias. Como a mortalidade caiu, estamos vendo isso acontecer no Brasil pela primeira vez nessa geração”, explicou o pesquisador do IBGE, Gabriel Borges. Segundo ele, a sobra de homens na faixa dos 15 aos 49 anos é algo já observado em países com taxa de mortalidade mais baixa. “Se no Brasil observarmos uma redução ainda maior nas taxas de homicídios que permanecem altas, o excedente masculino nessa faixa etária poderá aumentar ainda mais”, afirmou.

Em 2059, a previsão é de que haverá excedente masculino em todas as idades menores que 50 anos. Como as mulheres ainda são mais longevas, a tendência é de que elas continuem superando os homens nas faixas etárias mais velhas, o que explica o excedente feminino de 6 milhões previsto para aquele ano, no total da população. José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli

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‘Sobra’ de homens varia entre regiões

Nem todas as regiões brasileiras deverão registrar um excedente masculino na idade fértil, segundo o IBGE. No Nordeste, a taxa de emigração masculina e a mortalidade por causas violentas farão com que as mulheres continuem superando os homens em praticamente todas as faixas etárias até 2030.

Já na região Norte, destino de muitos imigrantes do sexo masculino para trabalhar em obras de infraestrutura e mineração, já há mais homens que mulheres na idade fértil desde os anos 1990. No Sudeste, a inversão dos excedentes nessa faixa etária aconteceu em 2011. (J. R. T. e R. B.)

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