Serra recupera evangélicos e volta a cenário pré “kit-gay”

Jose Roberto de Toledo

25 de outubro de 2012 | 01h32

José Serra (PSDB) recuperou os eleitores evangélicos que havia perdido na semana passada. Ele cresceu 10 pontos nesse segmento do eleitorado em apenas sete dias: foi de 28% para 38%. Com isso o tucano voltou ao patamar que tinha na primeira pesquisa do segundo turno entre esses eleitores e, por consequência, no total do eleitorado. Ou seja, Serra não tirou eleitores de Fernando Haddad (PT), só reconquistou os que perdera.

Essa movimentação da intenção de voto dos evangélicos está ligada à campanha contra o “kit anti-homofobia” que um aliado de Serra, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, dirigiu a Haddad. Ao que tudo indica, os eleitores não gostaram de ver religião misturada com política e reagiram contra Serra, declarando voto em branco ou nulo na semana passada. Agora que o assunto saiu de pauta, eles voltaram ao ninho tucano.

“Essa volta dos evangélicos para Serra era previsível”, diz a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari. “Foram principalmente os evangélicos que moram nas áreas antipetistas que voltaram a declarar voto em Serra”, completa. Entre eles, o tucano cresceu 14 pontos, de 33% para 47% desde a semana passada.

Desde que ficou claro que o apelo ao “kit-gay” era um tiro no pé, a campanha de Serra mudou de tática, mas não de estratégia. O horário do tucano na TV e no rádio continuou fazendo campanha negativa contra Haddad, mas com outro assunto: dizendo que se o petista for eleito todas as organizações sociais da área da Saúde perderão seus contratos com a Prefeitura de São Paulo e seus funcionários ficarão sem emprego. O público percebeu.

A campanha serrista é considerada a mais agressiva pela ampla maioria. O dobro de eleitores acha que Serra ataca mais Haddad do que o contrário: 47% do eleitorado diz que o programa de Serra é mais negativo do que o de Haddad, enquanto 23% afirma que a propaganda do petista ataca mais do que ele é atacado pelo adversário. Os demais não souberam responder porque não assistiram à propaganda eleitoral.

A campanha negativa de Serra continua sem tirar eleitores de Haddad, porém. O tucano não conseguiu melhorar seu desempenho nas periferias pobres da cidade. Nessas áreas homogêneas do Norte, Sul e Leste de São Paulo – onde os candidatos do PT foram os mais votados nas últimas três eleições majoritárias – Haddad manteve a mesma vantagem que tinha na semana passada: 24 pontos.

Já no centro expandido e mais rico – onde adversários do PT venceram as últimas três eleições majoritárias -, Serra inverteu o resultado da semana passada, de 4 pontos negativos para 8 positivos. Mesmo assim, Haddad vai melhor no reduto do adversário do que Serra vai no reduto petista. Pior para o tucano: seu avanço na área antipetista foi compensado por um aumento da diferença pró-Haddad nas áreas volúveis, que ficam entre a zona petista e a zona anti-petista.

Outro ponto que complica as chances de Serra é a impopularidade de seu aliado Gilberto Kassab (PSD). O prefeito continua muito mal avaliado: 48% acham seu governo ruim ou péssimo, e só 20% dizem que ele é bom ou ótimo. Menos de 20% dos paulistanos que reprovam a gestão de Kassab declaram voto no tucano.


PS: Veja, nos comentários abaixo, mensagem enviada por Silas Malafaia através de assessores, por causa deste texto.

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