Serra perde batalha da propaganda para Dilma

Jose Roberto de Toledo

24 de junho de 2010 | 21h09

(texto publicado na edição impressa do Estado)

Na batalha da propaganda, Dilma Rousseff (PT) ganhou o primeiro round de José Serra (PSDB). A candidata petista passou à liderança isolada da corrida presidencial justamente no período em que o tucano concentrou sua propaganda na TV e no rádio. Aumenta assim a pressão para Serra mudar de estratégia e de discurso.

Enquanto PSDB e aliados colocaram Serra em evidência nos programas partidários obrigatórios, o governo federal e a Petrobras marcaram presença nos horários de jogos e programas da Copa do Mundo, com spots otimistas sobre o Brasil. Mesmo sem mostrar Dilma, a propaganda oficial parece ter funcionado como antídoto à dos tucanos.

O resultado desse embate de comunicação antecipa o que poderá acontecer a partir de agosto, quando começa o horário eleitoral gratuito, se Serra mantiver a estratégia atual. Além de Lula dizendo que seu nome é Dilma, a petista contará com cerca de 40% a mais de tempo de propaganda do que seu adversário.

Serra precisará decidir como vai ocupar seu tempo de TV. O discurso adotado até agora (o Brasil melhorou mas pode melhorar mais) não está lhe dando um voto além dos que ele já tinha. Mais: não está conseguindo segurar os eleitores que aprovam o governo Lula mas votavam no tucano.

Em março, segundo o Ibope, só 58% dos eleitores sabiam dizer que Dilma era a candidata de Lula. Esse percentual cresceu mês a mês, até chegar, agora, a 73%. Ao mesmo tempo, a petista foi ultrapassando Serra entre os que dão nota 10 ao governo, depois entre quem dá nota 9 e assim por diante.

Ainda há cerca de um quarto de eleitores que desconhecem a ligação de Dilma ao presidente. E a intenção de voto da petista parece crescer na proporção da redução desse grupo. Ou seja, ela ainda pode ganhar alguns pontos com a propaganda eleitoral na TV e no rádio apenas conectando seu nome ao de Lula.

Nesse cenário, resta a Serra mudar de estratégia, partindo para o ataque, ou esperar por um erro da adversária. Ambas as opções são arriscadas.

Como Marina Silva (PV) permanece estacionada no patamar de 10% das intenções de voto, é necessário que Dilma ou Serra abram 10 pontos de vantagem um sobre o outro para vencer já no 1º turno. A petista percorreu metade desse caminho até agora.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: